Costume Tradição aquece mercado de pescados, com foco na procura por bacalhau, tilápia e merluza mesmo com aumento de preços
FOTO: Nario Barbosa/DGABC

Comerciantes do Grande ABC esperam aumento nas vendas de pescados durante a Semana Santa mesmo com a alta concorrência. Seja em feiras livres, peixarias, supermercados e até mesmo açougues, consumidores que mantêm a tradição de comer peixe neste período têm um leque de opções para escolher o melhor preço. De acordo com o Procon-SP, pesquisar em mais de um local é a melhor estratégia para economizar. Isso porque o quilo do lombo de bacalhau vai entre R$ 119,90 e R$ 269,98 (125,2%) a depender do estabelecimento no Estado, enquanto o filé de pescada varia entre R$ 34,90 e R$ 89,98 (diferença de 157,8%).
Em Mauá, os organizadores da Campanha do Pescado, que começa nesta terça-feira (31), preveem alta de 46,6% nas vendas, indo de 7,5 toneladas em 2025 para 11 toneladas neste ano. Em Santo André, comerciante estima aumento de 8% em comparação ao mesmo período de 2025.
O empresário Carlos Ramos, 62 anos, dono da Ramos, peixaria no Sacolão da Craisa (Companhia Regional de Abastecimento Integrado de Santo André), diz que o movimento de clientes triplica em comparação aos dias sem datas comemorativas. “O mercado se dividiu bastante. Existe muita opção, mas as bancas de feira e peixarias mantêm os clientes fieis. A expectativa é de leve alta de 8%.”
Ele afirma que os mais procurados são tilápia, corvina e sardinha. “O Brasil melhorou muito na criação de tilápia. É um peixe saboroso. Não tem espinha, o que facilita para crianças e idosos consumirem. O mercado funciona com procura e oferta. Há semanas, o quilo vinha por R$ 59. Neste momento, subiu para R$ 70.”
O País é o quarto maior produtor global de tilápia, ao fazer anualmente 700 mil toneladas. De acordo com a Peixe BR (Associação Brasileira da Piscicultura), o consumo de peixe agora deve subir 30% frente aos meses anteriores.
A escolha de evitar o consumo de carne vermelha e de frango geralmente ocorre entre a Quarta-Feira de Cinzas e a Sexta-Feira Santa entre os católicos em memória aos sacrifícios de Jesus. Mas tem gente que opta por estender a tradição até o domingo.
A diarista Edna Oliveira, 55 anos, moradora de Jardim Santa Cristina, em Santo André, comenta que pretende gastar até R$ 140 no almoço de Páscoa. “A família costuma passar essa data na casa da minha sogra. Cada um compra um pouco e fazemos a comida juntos para não pesar no bolso de ninguém. Preparamos arroz, salada, batata e peixe. Tudo está caro. Bacalhau agora é comida de rico. Optamos por filé de merluza ou tilapia.”
O aposentado Nelson Santos, 58, do Jardim do Estádio, em Santo André, declara que, mesmo se seguisse essas tradições em casa, teria que recalcular a rota neste ano. “Os preços no mercado subiram muito. Por sorte, só eu como peixe em casa. Então, o gasto é bem menor. Costumo fazer uma moqueca ou cação. Se fossemos gastar com isso, não daria para fechar as contas.”
Apesar dos valores expressivos, há quem ainda escolha o bacalhau. A dona de casa Marina Santos, 68 anos, moradora da Vila Floresta, em Santo André, pretende preparar o alimento com batatas e arroz para receber os dois filhos e os dois netos no fim de semana. “Independente do preço, seguimos com esse costume, já que é uma vez no ano.”
Responsável pelas feiras livres organizadas em Mauá, Irani de Oliveira, 53 anos, explica que serão sete pontos espalhados pela cidade especificamente para a venda do pescado, além das barracas que já costumam vender o produto. “O peixe mais procurado é o filé de merluza. É uma boa opção para quem não deseja gastar muito. A tradição da Semana Santa ainda é seguida à risca por muitos moradores da região.”
A campanha em Mauá vai de hoje a quinta, das 8h às 20h, e na sexta-feira, das 8h às 12h. Os endereços são Rua Aloísio de Azevedo (esquina com Av. Dona Benedita Franca da Veiga), Avenida Sebastião Antonio da Silva (esq. com Rua Hugo Scachetti), Rua Guerino Boscariol (esq. com Av. Presidente Castelo Branco), Avenida Washington Luiz (próximo à passarela da UPA/Shopping), Rua Havana (esquina com Rua Haiti), Avenida Ayrton Senna (esq. com Rua Foz do Iguaçu), Rua Ivo Rogério (esq. com Avenida José Moreira).
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