Economia Titulo Combustível

Transportadoras citam dificuldades e diesel chega a R$ 8,50

Preço máximo na região disparou 23,5% desde o início de março e, para conter altas, governo propõe nova subvenção aos importadores

Beatriz Mirelle
25/03/2026 | 08:31
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FOTO: Nario Barbosa/DGABC
FOTO: Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Empresas de transporte do Grande ABC relatam dificuldades para lidar com os aumentos sucessivos do valor do diesel sem repassar aos clientes. Enquanto alguns empresários tentam segurar ao máximo as altas, outros criaram taxa provisória sobre o frete. Na região, o preço máximo de revenda disparou 23,5% e foi de R$ 6,88 na primeira semana de março para R$ 8,50 entre os dias 15 e 21. Para conter aumentos, o governo federal propôs nova subvenção a importadores de diesel. 

O combustível está com valor médio de R$ 7,33 na região. A maior variação frente à primeira semana de março foi observada em São Caetano (32%), onde a média foi de R$ 5,61 entre 1º e 7 de março para R$ 7,41 na atualidade, segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).

O empresário Rodrigo Duarte, 42 anos, proprietário da Roduart Transportadora, em Santo André, afirma que se viu sem alternativas a não ser repassar os reajustes. “O diesel representa 30% do gasto com frete. Não tem como segurar. Criamos uma taxa temporária e emergencial para não mudarmos a tabela. Quando ocorre escalada assim é difícil voltar ao patamar antes da crise. Se eu cobrava R$ 1.000, agora é R$ 1.100. Temos sido transparentes com os clientes.”

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Ele explica que altas acentuadas têm repercussões em toda cadeia logística, demanda e manutenção de empregos. “Não sabemos como vai ficar. Por sorte, ainda não fomos notificados sobre desabastecimento. A taxa é a nossa estratégia para fechar as contas.”

Já o empresário Marcelo Savo, 62, proprietário da Transportadora Savo, em São Caetano, tem segurado os prejuízos. “Não conseguimos repassar para os cliente porque os preços são estabelecidos em contrato. No começo de março, eu pagava R$ 5,80, mas já está R$ 7,50. Se aumentarmos, não tem como mudar depois. Dependendo da viagem, o diesel pesa 50%. Acho que deveria haver greve para pressionar novas medidas.”

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, propôs ontem que o ônus do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) no diesel seja dividido metade para Estados e outra parte para União. A ajuda seria de R$ 1,20 por litro até o fim de maio. Neste formato, não há necessidade de discutir que os Estados zerem a alíquota – como proposto na semana passada. A resposta dos governadores deve ser dada até sexta-feira (27), em reunião do Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária). 

Hoje, no Palácio do Planalto, ocorre reunião entre representantes dos caminhoneiros e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, para debater as oscilações do diesel. Para ele, apesar da guerra no Irã motivar o aumento do preço do petróleo, postos de combustíveis têm realizado práticas abusivas.




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