Economia Titulo Imposto de Renda

Especialista alerta para golpes no IR mais sofisticados com uso de IA

Diretor cita avanço de novas fraudes que exigem reforço em autenticação, proteção de dados e confiança nos canais oficiais

24/03/2026 | 12:33
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FOTO: Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Com a abertura do calendário de declarações do IRPF (Imposto de Renda Pessoa Física), o ecossistema digital brasileiro entra em um dos períodos de maior exposição a fraudes. Em 2026, esse cenário ganha uma nova camada de complexidade com o uso crescente de inteligência artificial para sofisticar golpes, aumentar a verossimilhança de comunicações falsas e pressionar a confiança dos cidadãos nos canais digitais oficiais.

Para a TIVIT, multinacional do Grupo Almaviva e provedora de serviços de tecnologia na América Latina, o avanço dessas fraudes exige que a discussão vá além da proteção individual do contribuinte. O tema passa também pela resiliência digital das instituições públicas, pela segurança das jornadas digitais e pela capacidade de preservar a confiança nas infraestruturas críticas do setor público.

Dados da Serasa Experian indicam uma intensificação do problema: no início de 2026, o Brasil registrou uma tentativa de fraude financeira a cada 2,2 segundos. O uso de dados vazados, aliado a táticas de engenharia social hiper-personalizadas, resultou em um salto de quase 30% nas tentativas de fraude no último ciclo. Atualmente, mais de 50% dos brasileiros relatam ter sido alvo de golpes digitais nos últimos 12 meses, desafiando a percepção de segurança dos canais oficiais.

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Segundo Thiago Tanaka, Diretor de Cibersegurança da TIVIT, a principal mudança em 2026 está no uso da IA generativa para tornar ataques mais convincentes. “Os golpes ficaram mais sofisticados. A inteligência artificial permite criar comunicações falsas com linguagem, identidade visual e estrutura muito próximas das oficiais, o que aumenta o risco de erro por parte do cidadão e pressiona ainda mais a confiança nos canais digitais”, afirma.

No contexto do Imposto de Renda, esse movimento costuma aparecer em páginas falsas, mensagens sobre malha fina, promessas de restituição ou cobranças indevidas. Embora o impacto mais visível recaia sobre o contribuinte, a empresa avalia que o problema também afeta as próprias instituições, ao ampliar a sobrecarga em canais de suporte, dificultar a comunicação oficial e exigir respostas mais rápidas de prevenção e orientação.

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O especialista afirma que a proteção nesse cenário depende de uma combinação entre arquitetura digital segura, autenticação robusta, monitoramento contínuo e educação do usuário. O uso de ambientes autenticados, como o portal e-CAC e o aplicativo Meu Imposto de Renda, além de mecanismos como múltiplos fatores de autenticação, segue como uma das principais camadas de defesa para reduzir riscos de acesso indevido e fraude.

“O desafio não é apenas bloquear ataques, mas garantir que a jornada digital do cidadão aconteça de forma segura e confiável do início ao fim. Isso envolve identidade, autenticação, proteção de dados e capacidade de resposta a incidentes”, explica Tanaka. "Canais oficiais não utilizam gatilhos de urgência emocional. A resiliência cibernética de uma nação depende tanto de infraestruturas robustas quanto de uma cultura de desconfiança digital por parte do usuário final". 

Nesse contexto, ele avalia que fortalecer a resiliência digital do setor público exige uma abordagem integrada, que combine infraestrutura, governança, monitoramento e orientação ao usuário. Em períodos de alta demanda, como o do Imposto de Renda, essa capacidade se torna ainda mais relevante para proteger dados, reduzir vulnerabilidades e preservar a confiança nos serviços digitais.

"Quando a confiança na comunicação oficial é abalada, a eficiência do Governo Digital retrocede. O órgão público é pressionado a atuar em modo de gestão de crise, impactando o planejamento estratégico de arrecadação e fiscalização. A segurança, portanto, deve ser encarada como um pilar de sustentabilidade do negócio público”, conclui Tanaka.




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