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Instabilidade do diesel afeta formação do frete e pressiona operação dos cegonheiros

Variação do combustível compromete previsibilidade de custos; categoria mantém atividade e descarta paralisação enquanto governo propõe alívio tributário

23/03/2026 | 08:02
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A falta de estabilidade no preço do diesel passou a impactar diretamente a formação do frete no transporte de veículos zero quilômetro. O combustível, que historicamente operava dentro de um padrão mais previsível, deixou de oferecer uma referência estável para o cálculo de custos, sinalizando eventual necessidade de ajustes por parte dos cegonheiros.

A variação do diesel passou a interferir diretamente na estrutura de custos da operação, dificultando o planejamento financeiro e a sustentação principalmente dos contratos de longo prazo. Com isso, o setor enfrenta maior pressão para manter o valor do frete com ganho real em um ambiente mais instável, como tem acontecido há anos.

Para o Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg), que reúne mais de 5 mil trabalhadores especializados em todo o país, o desafio atual está justamente na perda de previsibilidade de um insumo central para a atividade.

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“Apesar das dificuldades causadas pela oscilação do diesel e das preocupações em manter o valor do frete com ganho real, a categoria dos cegonheiros não cogita aderir a uma eventual paralisação dos caminhoneiros sobre a qual a imprensa tem falado. Temos responsabilidade com a operação e com toda a cadeia automotiva. O que precisamos neste momento é de estabilidade e previsibilidade para continuar trabalhando”, afirma José Ronaldo Marques da Silva, o Boizinho, presidente do Sinaceg.

Segundo a entidade, mesmo diante do cenário de maior volatilidade, a prioridade tem sido manter a regularidade das operações, evitando impactos na cadeia automotiva.

Em paralelo, o governo federal apresentou aos estados proposta para zerar o ICMS sobre a importação de diesel até o fim de maio. A medida prevê compensação parcial da perda de arrecadação, com aporte estimado em cerca de R$ 3 bilhões por parte da União, criando um mecanismo para reduzir a pressão de curto prazo sobre os preços.

O movimento ocorre em um contexto de maior exposição ao mercado internacional. Atualmente, cerca de 27% do diesel consumido no Brasil é importado, o que amplia a sensibilidade do preço interno a fatores externos, como custos de frete e seguro.

Para representantes do setor, a proposta indica um esforço para recompor condições mínimas de previsibilidade no curto prazo.

“A medida ajuda a reduzir a pressão imediata e mostra que há um esforço para organizar o cenário. Para quem está na ponta, o mais importante é conseguir trabalhar com a maior previsibilidade possível, para manter a operação equilibrada”, afirma Márcio Galdino, diretor regional do Sinaceg.

A decisão sobre a proposta deve ser tomada até o fim de março. Enquanto isso, apesar de o setor de transporte de cargas ter sinalizado ajustes, o segmento cegonheiro tem mantido os custos estáveis, buscando adaptar a estrutura de custos a um ambiente mais volátil, sem interrupção das atividades.




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