Setecidades Titulo Salva vidas

Arte pode ajudar no tratamento da saúde mental

Desenho, pintura e música são formas de expressão para adolescentes

22/03/2026 | 09:06
Compartilhar notícia
FOTO: Nario Barbosa/DGABC
FOTO: Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Arte salva vidas. Muito além de desenhos, esculturas ou pinturas, a arte é uma poderosa aliada da saúde mental e da expressão de sentimentos. O Ministério da Saúde reconhece a arteterapia como atividade milenar, que atua como elemento na análise do consciente e do inconsciente, buscando ligar a mente humana com o mundo exterior.

Segundo a Pasta, a abordagem terapêutica usa recursos como pintura, colagem, modelagem, poesia, dança, fotografia, tecelagem, expressão corporal, teatro, sons, música e criação de personagens. A arte é empregada como meio de comunicação entre profissional e paciente, em processos terapêuticos individuais ou em grupo, com a produção artística voltada à promoção da saúde.

DGABC

Pensando nisso, o Caps IJ (Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil) de Mauá promoveu uma atividade que marcou a vida dos jovens pacientes. Na última terça-feira (17), dois adolescentes e uma equipe responsável pela unidade visitaram o Masp (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand), na Capital.

Durante a visita, os adolescentes conheceram obras do pintor francês Claude Monet (1840-1926), dos brasileiros Heitor dos Prazeres (1898-1966) e Cândido Portinari (1903-1962), entre outras pinturas, esculturas e peças artísticas.

Para a psicóloga do Caps IJ mauaense, Priscila Ghirardello, a arte é uma ferramenta utilizada nas unidades no tratamento de jovens. “É uma válvula de escape que temos, porque não é todo mundo que consegue explicar o que sente através da palavra. Na adolescência, que é uma das fases mais difíceis do desenvolvimento humano, é ainda mais complicado. A arte salva vidas. Muitas coisas que não conseguem falar, expressam em criações artísticas”, comentou.

Nos andares do imponente prédio vermelho da Avenida Paulista, a dupla se encantou com os variados desenhos e traços. Apontando os celulares para quadros e telas, os jovens registraram momentos que permanecerão marcados na memória.

O estudante Nilton (nome fictício) é acompanhado pelo Caps há dois anos. Com talento desde os 7 anos, o jovem se expressa por meio de diferentes linguagens artísticas. “Gosto muito de desenhar e pintar, além disso, também faço circo, balé e jazz. Antes tinha diversos problemas de saúde mental, não conseguia ter uma forma de resolver isso, a não ser me machucando. Então, dançar foi a maneira que encontrei para me expressar”, disse. 

Já o também estudante Ravi (nome fictício) realiza terapia desde o ano passado na unidade de Mauá. “O acompanhamento me incentivou a ver a comida de outra forma, porque tinha transtorno alimentar. A arte é muito importante. Gostei muito da visita ao Masp”, afirmou.

Para o jovem, a peça preferida foi a escultura Diana Adormecida, do italiano Giuseppe Mazzuoli (1644- 1725). A obra feita de mármore é a representação de uma ninfa dormindo próximo a fontes.

De acordo com Priscila, esse tipo de experiência de passeios fora do local de tratamento ajuda na reinserção social. “O Caps é um local de passagem. Fazemos o cuidado em momentos de crise ou situações pontuais, mas a vida acontece fora. Estar no território é a coisa mais importante, muitos caem na tendência de isolamento. Esses dois adolescentes são de grupos distintos, inclusive, e estão se conhecendo para socialização”, disse a psicóloga mauaense.

O monitor da oficina terapêutica, Eric Renato Chaves, 49, também acompanhou o passeio e complementou a fala da psicóloga. “Muitos deles têm talento para o desenho e, ao observar o trabalho de outras pessoas, podem se inspirar. Buscamos trazer esses adolescentes em sofrimento para estimular suas habilidades e compreender como se relacionam socialmente”, afirmou.

Ainda de acordo com Chaves, a equipe planeja outras visitas, como para o Museu do Ipiranga e até mesmo para o Litoral Paulista.

LEIA TAMBÉM:

"Terapia com animais transforma vidas de moradores da região"




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;