Instabilidade Reunião entre categoria e Boulos ocorrerá na quarta; ministro fala de ‘banditismo’ dos postos
Nario Barbosa/Arquivo DGABC

Após o diesel ter alta de 25% nas últimas três semanas no Brasil, lideranças que representam caminhoneiros concordaram em se reunir na quarta-feira (25) com o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, para debater o tema. A categoria incluiu não deflagrar, neste momento, uma greve nacional. Entidades do setor de combustíveis alertaram sobre a necessidade de intervenções para diminuir o risco de desabastecimento.
O apelo foi realizado ontem por instituições como Fecombustíveis (Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes), Sincopetro (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo), Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis). Apesar disso, a Petrobras garante que tem entregado “todo o volume de combustíveis produzidos em suas refinarias, que operam em carga máxima”.
Boulos afirma que as oscilações não são mais por causa do conflito no Irã, ainda mais após a União zerar os tributos PIS (Programa de Integração Social) e Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social). “As distribuidoras não estão pagando a mais pelo óleo diesel, mas estão transferindo para o consumidor um aumento especulativo. Isso é banditismo de postos de gasolina e distribuição, que estão cometendo crime contra a economia popular”, classifica.
De acordo com Boulos, os caminhoneiros decidiram dar um “voto de confiança”. Isso após o anúncio do endurecimento de regras para o transporte rodoviário de cargas, que punem transportadoras que não cumpram o piso estabelecido para o frete. “Uma paralisação poderia ter um prejuízo brutal para o povo brasileiro e para o abastecimento. Muitas empresas não pagam o básico para os caminhoneiros. Tem que pagar.”
No Grande ABC, o combustível, que é essencial para o funcionamento da cadeia logística, teve alta de 7,5% entre 8 e 14 de março na comparação com a semana anterior. Em postos de São Caetano, que tiveram os aumentos mais expressivos, o valor médio chegou a R$ 6,83, onde antes era R$ 5,61.
Além do frete, o governo federal aguarda retorno de governadores sobre a proposta de zerar temporariamente o ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre a importação do diesel. O projeto foi negado inicialmente, mas a União fez uma contraproposta de arcar com 50% da perda de arrecadação para que o tributo pare de ser cobrado até maio. A medida custaria R$ 3 bilhões por mês.
O novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, comenta que a Pasta tem articulado medidas alternativas caso os Estados não aceitem. “Não deixaremos de apresentar outras medidas assim que necessário. Somente o governador do Piauí deu retorno e concordou com a desoneração.” A decisão será tomada até 28 de março.
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