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FMABC desenvolve teste sanguíneo inédito no Brasil para identificar câncer de mama

Em parceria com a empresa de biotecnologia LiqSci, tecnologia RosalindTest garante 95% de precisão em exames para pacientes

20/03/2026 | 08:00
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 O Centro Universitário FMABC (Faculdade de Medicina do ABC) desenvolveu um teste sanguíneo inédito no Brasil capaz de auxiliar na identificação do câncer de mama. Batizada de RosalindTest, a tecnologia foi criada a partir de um estudo de mestrado concluído em 2020 e permite, com uma simples coleta de sangue, rastrear sinais da doença de maneira mais rápida. A proposta é complementar aos métodos tradicionais de diagnóstico e ampliar as chances de detecção precoce.

A faculdade firmaou um termo de cooperação em 2023 com a empresa de biotecnologia LiqSci, que passou a analisar a atividade de genes associados ao tumor. De acordo com a companhia, a tecnologia alcança 95% de precisão na identificação do câncer de mama.

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“Nosso núcleo de pesquisas estuda moléculas que podem identificar a presença de doenças crônicas. Quando começaram a avaliar um possível biomarcador para câncer de mama, um dos alvos começou a se destacar como um bom direcionador. Fizemos um teste inicial com um grupo de 125 mulheres, divididas entre saudáveis e diagnosticadas com a doença. Nos testes comparativos entre os dois grupos, o marcador apresentou níveis muito mais elevados nas mulheres com câncer de mama”, explicou a professora e pesquisadora do Laboratório de Análises Clínicas da FMABC, Glaucia da Veiga. Segundo ela, a pesquisa foi patenteada. 

Em 2022, as análises foram expandidas para incluir um número maior de participantes, o que ampliou a base amostral do estudo. “Fomos procurados pela Biotech Sthorm, que entrou como incentivadora. A partir daí, foi elaborado um projeto de ampliação do número de testagens para confirmar os resultados. Iniciamos no estudo da vida real, que é uma testagem livre sem saber o quadro clínico daquela mulher”, comentou a bióloga.

Desde o início, o RosalindTest já realizou cerca de 1.200 testagens. No ano passado, a LiqSci e a FMABC firmaram um acordo com a entidade de capacitação de trabalhadores rurais Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) para a realização de 600 testes em mulheres de áreas rurais de São Paulo e do Ceará.

Para a pesquisadora Glaucia, a nova tecnologia pode ampliar o acesso ao diagnóstico, especialmente em locais que não contam com equipamentos adequados. “Montamos equipes de coleta de sangue nos locais atendidos, enquanto o Senar era responsável pela estrutura. As amostras eram então enviadas ao laboratório para análise no Rosalind, que utiliza PCR digital, uma tecnologia disponível em poucos laboratórios no Brasil. Nossa proposta é evitar mortes, já que o exame pode chegar a lugares onde basta uma coleta de sangue para viabilizar o diagnóstico”, explicou.

Outro benefício é a possibilidade de realizar a análise em mulheres mais jovens, por volta dos 30 anos, diferentemente da mamografia, que no SUS (Sistema Único de Saúde) é indicada, em geral, a partir dos 40 anos.

Apesar disso, a especialista também afirmou que essa análise não substitui a mamografia, mas serve como um adicional. “Jamais queremos eliminar, é o padrão ouro. Mas o Rosalind veio para agregar valor e abranger um número maior de mulheres”, comentou Glaucia.

A inovação é comparável ao PSA (Antígeno Prostático Específico), exame de sangue utilizado para auxiliar na detecção precoce do câncer de próstata, porém com uma tecnologia mais avançada. Além disso, foi elaborado um dossiê com todas as exigências da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), visando à comprovação técnica do método.

Atualmente, os testes são voluntários e a projeção é de realizar mais 600 análises até o meio do ano.

Um dos idealizadores do projeto e atualmente reitor da FMABC, Fernando Fonseca, comentou que o sentimento é de dever cumprido. “O envolvimento da faculdade foi total, em parceria com a LiqSci, que nos ajudou no patenteamento. Hoje, no Brasil, o rastreio é feito por mamografia, então temos um teste baseado em material biológico que permite detecção cada vez mais precoce”, disse o reitor. Também faz parte da equipe a pesquisadora Beatriz Alves.




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