Economia Titulo Combustíveis

Em uma semana, valor do diesel tem alta de 7,5% no Grande ABC

Governo federal propôs que Estados zerem cobrança de ICMS e, em contrapartida, afirma que vai compensar 50% da perda de arrecadação

Beatriz Mirelle
19/03/2026 | 08:53
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FOTO: Nario Barbosa/DGABC
FOTO: Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Quem abastece nos postos de combustíveis do Grande ABC já sentiu no bolso o peso do conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, que tem gerado oscilações no valor do barril de petróleo. Na região, o preço médio do litro do diesel subiu 7,5% e saiu de R$ 6,13 no balanço de 1º a 7 de março para R$ 6,59 no levantamento de 8 a 14 de março. Os dados são da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), que não monitora estabelecimentos de Rio Grande da Serra.

Para tentar conter os aumentos, o governo federal propôs nesta quarta-feira (18) que Estados e o Distrito Federal zerem a cobrança de ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre a importação de diesel até maio. Em contrapartida, a União vai compensar 50% da perda de arrecadação. A ação seria somada à subvenção direcionada aos produtores e importadores do óleo e a isenção das alíquotas de tributos federais. No Brasil, a mudança de valores foi de R$ 6,15 na primeira semana de março para R$ 6,89 na semana seguinte (alta de 12%).

Nesta quarta, a Petrobras também suspendeu o leilão de diesel e gasolina previsto para essa semana com a jsutificativa da necessidade de reavaliar estoques após identificar risco de desequilíbrio no abastecimento.

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REPERCUSSÃO

O presidente do Setcesp (Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo), Marcelo Rodrigues, afirma que essas mudanças têm impactado diretamente os custos operacionais das companhias do setor. “Elas enfrentam maior pressão sobre suas margens, dificuldade para repassar os custos de forma imediata aos contratantes e necessidade de readequação de contratos e tabelas de frete. Em muitos casos, isso compromete a previsibilidade financeira e a sustentabilidade das operações, especialmente para transportadoras de menor porte.”

De acordo com ele, o cenário de instabilidade gera insegurança no planejamento logístico, o que pode afetar prazos, rotas e até a oferta de serviços, com reflexos em toda a cadeia de abastecimento.

Em relação ao risco de uma possível paralisação dos caminhoneiros, Rodrigues indica que os transportadores autônomos representam cerca de um terço da frota nacional e a greve é capaz de agravar ainda mais as repercussões sobre os custos operacionais. 

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), comentou que o Brasil não tem controle sobre os conflitos no Irã. Apesar disso, o Parlamento está disposto a agir caso seja necessário. Ao dizer que está preocupado com as oscilações de valores dos combustíveis, ele reforçou que o governo mantém no radar os impactos aos caminhoneiros, que ameaçam cruzar os braços nos próximos dias.

“Essa alta se dá nesse momento por um episódio internacional que não tem a voluntariedade do Brasil neste episódio. Nós temos uma guerra no Irã que interfere em toda a cadeia de petróleo do mundo. Isso levou, nos últimos dias, a ter um aumento rápido e muito considerável no preço do barril, que incide no aumento do preço dos combustíveis de forma mundial”, destacou.

Motta ressaltou que, assim como durante o anúncio do tarifaço dos Estados Unidos no ano passado, os deputados terão uma “atuação célere”. “Nós queremos que a estabilidade possa ser mantida. Nós não queremos que os caminhoneiros sejam prejudicados com essa alta dos preços do petróleo. Ao lado do Senado Federal, podemos encontrar as soluções necessárias para esse momento.”

OUTROS COMBUSTÍVEIS

Os dados da ANP revelam que, no Grande ABC, a gasolina teve leve acréscimo de 1,1% na primeira semana de março em comparação à segunda (ao subir de R$ 6,16 para R$ 6,23). No mesmo período, o diesel S10 aumentou 4,9% (R$ 6,25 para R$ 6,56).

O frentista Juarez Tabosa, 62 anos, disse que, no posto onde trabalha na Avenida dos Estados, no Parque Jaçatuba, em Santo André, muitos clientes têm reclamado das alterações. “A expectativa é que aumente cada vez mais. Desde o momento que a guerra começou (no dia 28 de fevereiro, com a morte do então líder iraniano, Ali Khamenei), as altas ficaram progressivas. Os consumidores acham ruim, mas nós não somos os culpados.”

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