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Região registra 65 queixas de violência psicológica por mês

Canal de denúncias Disque 100 recebeu 787 notificações em 2025 no Grande ABC; agressão afeta diretamente a saúde mental da mulher

16/03/2026 | 07:00
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Nario Barbosa/DGABC
Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Por mês, 65 denúncias de violência psicológica contra mulher foram registradas no Grande ABC em 2025. Segundo dados do Disque 100, canal do governo federal, a região contabilizou 787 queixas desse tipo, sendo média de duas por dia.

Ao todo, o canal registrou no ano passado 872 denúncias de agressões contra a mulher, incluindo violência física, psicológica, patrimonial e outras. Cada registro pode envolver mais de uma forma de agressão.

A psicóloga clínica e especialista em atendimento à mulher, Alessandra Vieira, explica que esse tipo de ataque afeta diretamente a saúde mental da vítima. “Costuma produzir efeitos profundos, porque atinge diretamente a percepção de si mesma. Esse tipo de violência se demonstra com comentários depreciativos, desqualificação constante, manipulação emocional e controle. Pode desencadear quadros de ansiedade, depressão e sensação de incapacidade”, disse.

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Essa agressividade tem como um dos focos estabelecer padrões de controle e muitas vítimas não conseguem sair do ciclo. Segundo a especialista, o número de denúncias registrado na região revelou que a violência psicológica é comum, mas pouco falada. “Muitas vezes é invisível para quem está de fora, mas pode causar impactos graves tanto quanto as outras formas de violência”, falou.

Alessandra ainda esclareceu que essa é uma das primeiras etapas do ciclo e que a violência psicológica pode escalar para um feminicídio. “O assassinato de mulheres acontece raramente de forma repentina. Ele é precedido por ameaças e humilhações, perceber os sinais é fundamental para interromper.”

Foi nesse contexto que a esteticista e voluntária da ONG (Organização Não Governamental) Mulheres em Ação de Mauá, Tatiane Clara Edmundo, 42 anos, moradora da Capital, reconheceu a própria experiência. Segundo ela, o relacionamento com o ex-marido, que durou de 2016 a 2022, foi marcado por ameaças, xingamentos, perseguições e controle, o que resultou em transtornos mentais.

“Foi somente após romper o relacionamento que percebi que vivia tudo isso. Todos os dias, no meu trabalho, ele ligava mais de 30 vezes para verificar se não estava atendendo um cliente do sexo masculino. Depois começou a ir à porta da clínica, gritando e brigando. Optei por sair de lá, porque tinha vergonha e a situação foi insustentável”, contou.

Ainda segundo Tatiane, os problemas financeiros a impediam de deixar a relação. “Houve uma época em que mudamos de casa e, quando percebi, já estava totalmente desestruturada, longe da família, sem emprego e com dois filhos. Meu dia começava com xingamentos e gritos, e meu nome parecia não existir. Todos os problemas dele eram descontados em mim. Ouvi muitas vezes frases como ‘Você tem que morrer’ ou ‘Você é um peso’, sempre sendo rebaixada como mulher. Não conseguia mais sair de casa. Naquela época, eu me sentia quase como uma vítima pronta para morrer.” Ela ainda relatou que o ex-companheiro quebrou cinco celulares que ela possuía.

Em determinado momento, ela percebeu que poderia acontecer uma tragédia. “Houve uma vez em que brigamos porque ele foi até a porta do meu emprego. Voltei para casa e abaixei o portão automático, mas ele veio correndo de carro e bateu com força, gritando para que eu deixasse ele entrar. Começou a dizer: ‘Você viu o que me fez fazer?’. Naquele instante, percebi que poderia morrer.”

Após dar um basta na relação, em 2023, o ex-marido continuou as perseguições. A esteticista relatou que ele realizava contas nas redes sociais e utilizava telefones falsos para ameaçá-la. Em 2025, o ex-marido foi condenado à prisão por quatro anos e cinco meses por descumprimento de medida protetiva, ameaça e outros crimes.

Foi através de acompanhamento psicológico na ONG de Mauá que ela encontrou forças para romper o ciclo de violência. “Para mim, a terapia trouxe clareza sobre o que eu estava vivendo. Quando começou a abordagem psicológica, percebi que me saía muito bem, pois acredito na cura através da fala. Conversar sobre o que sentia foi extremamente benéfico”, conclui Tatiane.




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