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'Casamento é respeito, não posse’, diz bispo Dom Pedro Cipollini em caminhada contra feminicídio

Representante da Diocese de Santo André defende ações conjuntas com poder público para cessar desvalorização da mulher

Beatriz Mirelle
15/03/2026 | 18:19
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Nario Barbosa/DGABC
Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O bispo da Diocese de Santo André, Dom Pedro Carlos Cipollini, declarou que a sociedade e o poder público devem se mobilizar para promover conscientização e políticas que cessem a cultura de desvalorização da mulher. De acordo com ele, o casamento deve ser baseado no respeito e na doação, não nas ideias de superioridade e posse. Ele participou ontem da caminhada em defesa da dignidade das mulheres, promovida pelo Conselho Diocesano Feminino e o CNLB (Conselho Nacional do Laicato do Brasil) da Diocese andreense.

 

A concentração ocorreu na Igreja da Matriz da cidade, na Vila Assunção, com trajeto até a Catedral Nossa Senhora do Carmo para missa às 18h. A programação visou protestar contra violência doméstica e ataques misóginos. “A conscientização contra o feminicídio deve começar nas escolas. Toda comunidade deve se engajar para fazer eventos que ensinem sobre caminhos para denunciar essas barbaridades. A Bíblia prega que todos somos iguais. O amor é respeitoso. O casamento precisa de maturidade emocional, o que é muito raro hoje em dia. A forma como as mulheres são tratadas como objetos não é algo normal. O poder público deve se incomodar com isso”, comentou Cipollini.

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Apenas em 2026, quatro mulheres foram vítimas de feminicídio no Grande ABC. “Existem participantes das nossas comunidades que podem estar dentro do ciclo da violência e não têm consciência disso. Queremos mostrar que o Conselho Feminino existe e serve como ponto de apoio”, disse Clara Cavinato, 51 anos, uma das organizadoras.


A coordenadora do CNLB da Diocese, Ana Paula Pereira, 43, afirma que a intenção é lutar pela transformação social. "A Igreja se coloca na frente pelo combate a esse cenário de desigualdade, com a função de ajudar essa vítima a se livrar disso. Não teremos uma sociedade melhor enquanto isso continuar. O objetivo que temos é amparar."


Além da comunidade, membros do poder público participaram da ação. "A caminhada é um despertar. Temos que fazer ações em prol do combate ao feminicídio. A educação e a cultura de paz devem ser pilares. A escola consegue instigar valores que, às vezes, a criança não aprende em casa", afirmou o secretário da Educação de Santo André, Pedrinho Botaro.


Já o vereador Marcos Pinchiari, idealizador da Frente Parlamentar Católica na Câmara de Santo André, pontuou a necessidade de intervenções mais rígidas para frear notícias constantes de mortes de mulheres. "As instituições organizadas precisam atuar em diversas frentes para que os homens entendam que nenhum tipo de agressão é tolerável e para que as mulheres não se calem diante desses casos e se afastem imediatamente desses companheiros."






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