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Obras públicas e métodos do passado

Rubens Campos
15/03/2026 | 05:20
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O Brasil vive grande contradição: enquanto há urgência por infraestrutura e equipamentos públicos de qualidade, milhares de obras seguem paralisadas ou atrasadas. Segundo o Tribunal de Contas da União, mais de 11,9 mil obras estão interrompidas, o que representa 52% dos empreendimentos em andamento. Essas paralisações já consumiram R$ 9 bilhões e exigem outros R$ 20 bilhões para conclusão. O resultado é ciclo de desperdício e frustração, com prejuízos estimados em mais de R$ 110 bilhões. Saúde e educação concentram 72% das obras paradas.

Os motivos são conhecidos: falhas de planejamento, orçamentos mal dimensionados, ausência de fiscalização e contratação de empresas sem capacidade técnica. Por que insistir em métodos que geram ineficiência? O modelo tradicional, artesanal e dependente do clima não é compatível com a complexidade das demandas públicas. É preciso industrializar o processo construtivo, e, nesse sentido, o chamado método steel frame é uma alternativa eficaz.

Trata-se de modelo industrializado, previsível e rastreável, que reduz o tempo de execução em até um terço em relação à alvenaria convencional. É mais leve, demanda menos mão de obra e reduz imprevistos orçamentários e atrasos. Além da velocidade, garante qualidade, desempenho térmico e acústico superior e permite personalização para escolas, unidades de saúde e habitações populares.

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Embora ainda represente pequena parcela da construção no Brasil, sua eficiência já é comprovada no setor privado. Para que o setor público colha esses benefícios, é necessária atualização normativa. Licitações devem priorizar desempenho, produtividade e sustentabilidade, e não apenas o menor preço. Gestores precisam entender que previsibilidade orçamentária e cumprimento de prazos dependem do método escolhido. Como é pré-fabricado e montado conforme projeto executivo, o steel frame oferece maior controle de custos e cronogramas, reduzindo incertezas e retrabalhos.

Assim como a indústria automotiva não monta carros a céu aberto, a construção civil precisa abandonar processos improvisados e adotar sistemas de precisão e escala. O desafio não é técnico, é cultural. O risco não está na inovação, mas em manter-se preso ao passado. Adotar métodos como o steel frame nas obras públicas pode significar economia, eficiência e infraestrutura duradoura a milhões de brasileiros.

O Brasil não pode desperdiçar tempo e recursos. Temos tecnologia e capacidade para transformar a forma como construímos escolas, hospitais e moradias. Falta decisão. Ao adotar a construção a seco, o País dará um passo concreto rumo a um futuro mais ágil e sustentável.

Rubens Campos é CEO da Espaço Smart.




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