Educação Rede Cultural Beija-Flor, de Diadema, financia a mensalidade de universidades particulares, em parceria com entidades da Noruega
Sarah dos Santos, Antonia Martins, Stheffany da Silva fizeram parte do grupo (FOTO: Nario Barbosa)

No Brasil, o ensino superior ainda não faz parte da realidade de todas as famílias. Em Diadema, porém, uma iniciativa busca oferecer uma nova perspectiva de vida para moradores. A Rede Cultural Beija-Flor realiza desde 2023 o Projeto Meninas Valentes, que financia mensalidades em instituições particulares para meninas de baixa renda.
O programa é custeado pela entidade Children At Risk Foundation e pela organização filantrópica Grieg Foundation, ambas da Noruega. Iniciado há três anos, o Projeto Meninas Valentes investiu na formação do ensino médio das estudantes Sarah dos Santos, 18 anos, Antonia Mirella Martins, 18, Stheffany Melo da Silva, 17, Laura Freires Merlin, 18, e Náthaly Silveira, 18, na escola Pen Life International, de São Bernardo. Neste ano, as jovens ingressaram no ensino superior.
Segundo a diretora-executiva da Rede Cultural Beija-Flor, Ivone Silva, a mensalidade da unidade pode chegar aos R$ 3.000. E, após a conclusão dessa etapa da vida, a iniciativa também promove o pagamento da faculdade delas.
“A rede tem 32 anos de atuação e o foco maior são as crianças e adolescentes de baixa renda e vulnerabilidade social. Conseguimos um parceiro que também acreditasse no poder da transformação pela educação. Formulamos o projeto para que pudesse oferecer bolsas de estudos”, explicou Ivone.
A diretora ainda comentou que as beneficiadas foram selecionadas após um processo seletivo. Com cerca de 60 meninas inscritas, a atividade passou por avaliação educacional, dinâmicas em grupo, conversas com as famílias e também uma espécie de entrevista de emprego. “Fizemos essas conversas para entender o quanto elas gostariam e defenderam muito a ideia”, disse.
Stheffany, moradora do Sítio Joaninha em Diadema, comentou que a iniciativa abriu portas, sendo a primeira da família a cursar o ensino superior. “A minha família é de baixa renda, então ter acesso a esse projeto foi uma oportunidade única, que possivelmente nunca teria. A realização é da minha mãe e do meu pai, foi muita felicidade”, comentou. A estudante escolheu Ciências da Computação e começou as aulas neste mês.
A colega de sala e moradora do bairro Eldorado, Sarah dos Santos, também escolheu o mesmo curso. “Na escola, podíamos selecionar matérias extracurriculares e escolhi neurociência e robótica. Fui percebendo que era uma área que eu gostava e vem crescendo muito atualmente, por considerar as oportunidades na área”, disse a estudante.
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Sarah comentou que ficou um pouco nervosa com a mudança de rotina. “Foi uma surpresa para a gente. Por enquanto, estou indo bem e conseguindo me enturmar. Daqui a quatro anos, espero olhar para mim mesma com orgulho”, relatou.
Já a moradora da Vila Moraes, em São Bernardo, Antonia Mirella Martins, escolheu o caminho das Relações Internacionais. As três beneficiadas estudam na FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas), na Capital.
Natural do Ceará, Antonia chegou à região aos 14 anos. Segundo a participante, a família ficou entusiasmada ao saber da nova realidade. “Depois que passei no processo seletivo, fiquei incrédula. Minha mãe ficou em estado de êxtase, porque sempre falou que era muito inteligente e isso confirmou para ela”, falou.As outras duas participantes, Laura Freires Merlin, de São Bernardo, e Náthaly Silveira, da Capital, escolheram, respectivamente, os cursos de Direito e Jornalismo.
Além dos estudos, o projeto busca promover a independência e o fortalecimento feminino.
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