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Paixão por trens move aposentado a construir ‘cidade’

Maquete com prédios e ruas levou quase dois anos para ser finalizada, custou R$ 8 mil e reúne memórias de morador de São Caetano

14/03/2026 | 07:42
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FOTO: André Henriques
FOTO: André Henriques Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Um sonho que começou ainda na adolescência ganhou forma décadas depois, em miniatura, dentro da casa do aposentado Mário Sérgio Assis Dutra, 67 anos, morador do bairro Barcelona, em São Caetano. Apaixonado por trens desde jovem, ele construiu uma cidade completa em maquete, com ferrovia, ruas, prédios, comércios e locomotivas em movimento pelos trilho.

A cidade foi batizada de Manoel Galdino, em homenagem ao sogro do aposentado, que, de acordo com ele, sempre o apoiou. A estrutura levou cerca de um ano e sete meses para ficar pronta e exigiu investimento aproximado de R$ 8 mil. Mais do que um passatempo, a cidade em miniatura se tornou uma forma de materializar uma paixão que acompanha Dutra desde os anos 1970. 

“Meu sonho era ser maquinista. Em 1971, mandei um telegrama para a antiga Fepasa (Ferrovia Paulista S.A.), em Campinas, para tentar entrar como ajudante de maquinista. Tinha 16 anos”, lembra. 

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Na época, ele chegou a receber resposta da companhia ferroviária com a possibilidade de se mudar para Campinas e ficar alojado durante o treinamento. A ideia, porém, não se concretizou. “Era muito novo, morava no Ipiranga (na Capital) e fiquei com receio de sair de casa. Tinha família, namorada. Hoje, olhando para trás, deveria ter ido”, conta.

Mesmo sem seguir carreira na ferrovia, a admiração pelos trens nunca desapareceu. Dutra lembra que, na juventude, fazia viagens longas apenas para aproveitar. “Pegava o trem na Estação da Luz, ia até Campinas e depois seguia para Ribeirão Preto. Chegava lá, tomava uma Coca-Cola, ficava um tempo e voltava para casa”, recorda.

Foi justamente dessa paixão antiga que nasceu a ideia da maquete. O primeiro passo veio quando ele comprou uma locomotiva em miniatura e guardou o item com a promessa de um dia montar algo maior. “Eu falava que quando tivesse espaço iria montar a maquete. Os anos passaram e, quando consegui um lugar para montar, em 2024, finalmente comecei”, explica.

CRIATIVIDADE E TALENTO

Grande parte da cidade foi construída artesanalmente pelo próprio aposentado. Escola, ginásio, restaurante, oficina mecânica e posto de combustível foram feitos por ele.

Embora o sonho de ser maquinista não tenha se concretizado, a vida profissional de Dutra também acabou ligada à condução de veículos. Ele trabalhou por 22 anos como motorista de ônibus na Capital e depois passou a dirigir caminhões.

Hoje, ao olhar para a cidade em miniatura, Dutra diz sentir orgulho do resultado. E garante que o projeto ainda não está concluído. A ideia é ampliar a ferrovia no futuro, criando um pátio ferroviário com novas linhas e desvios para os trens. Apesar da quantidade de detalhes, o aposentado não contabilizou o número de peças da maquete. “Enquanto a imaginação funcionar e o corpo acompanhar, a gente vai fazendo”, diz, sorrindo.

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