Cuidado Faixa etária dos 60 anos ou mais contabiliza 1.292 casos de quebra do osso; no total, foram 1.922 ocorrências entre todas as idades
Denis Maciel/DGABC

A cada dez internações por fratura no fêmur no Grande ABC em 2025, sete foram de moradores idosos. Na faixa etária de 60 anos ou mais, o DataSUS, do Ministério da Saúde, registrou 1.292 casos no ano passado, ou seja, 107 ocorrências por mês. Ao considerar todas as idades, o total chegou a 1.922 fraturas nas sete cidades. Assim, 67% dos casos envolveram a população idosa da região.
O fêmur é osso mais longo do corpo humano, localizado na coxa, que liga o quadril ao joelho. A geriatra Fernanda Lopasso explicou que esse tipo de fratura é uma das ocorrências mais perigosas entre as pessoas mais velhas.
“Com o passar dos anos, ocorre uma redução progressiva da densidade mineral óssea. Muitos idosos desenvolvem osteoporose, que torna o osso mais frágil e suscetível a fraturas”, comentou.
Além disso, o envelhecimento também traz alterações no equilíbrio, força muscular, visão e tempo de reação, o que aumenta o risco de queda, conforme explicou a médica.
Em comparação com 2024, o número de internações por fratura no fêmur diminuiu em todas as faixas etárias. No total, a redução foi de 3,4%, passando de 1.934 registros naquele ano para 1.922 em 2025. Entre os idosos, a variação foi de 0,6%, com 1.292 hospitalizações registradas. (Veja dados por cidade na tabela)
De acordo com Fernanda, a maior parte das quedas ocorre nas próprias residências. “Especialmente em ambientes como os banheiros. Muitas vezes, o problema está em fatores como tapetes soltos, iluminação inadequada, piso escorregadio ou ausência de barras de apoio no local. Pequenas mudanças no ambiente doméstico podem reduzir o risco de quedas”, afirmou. A médica também sugere acompanhamento geriátrico regular para avaliação da saúde óssea.
A aposentada de São Bernardo, Mirna Barbosa, 87 anos, fraturou o fêmur da perna direita em 2012 e da esquerda em 2017. A moradora relatou que, na primeira vez, estava lavando roupa quando sofreu a queda. “Não tinha nada para me apoiar e acabei caindo. Tive que esperar a ambulância me levar para o Hospital do Servidor”, contou.
A filha, a professora aposentada Ester Eloisa Barbosa, 55, relatou que a mãe ficou internada por 20 dias e precisou passar por uma cirurgia, na qual foram colocados uma placa e cinco parafusos no osso. O segundo caso ocorreu após outra queda, quando ela se deslocava da cozinha para a sala.
“Na época, levamos ela ao Pronto-Socorro, mas falaram que não tinha quebrado nada. Após alguns dias, ela sentiu uma dor na perna. As quedas foram derivadas da osteoporos”, disse Ester.
Após os acidentes, a aposentada precisou fazer mudanças na casa, instalando barras de segurança e utilizando cadeiras de banho. Mirna também passou a usar andador no dia a dia. Além disso, mantém acompanhamento regular com ortopedista, faz fisioterapia e utiliza suplementação para reforço ósseo.
A geriatra Fernanda Lopasso comentou que esse tipo de caso pode mudar completamente a autonomia do paciente. “Normalmente, perde a mobilidade, passa a necessitar de ajuda de terceiros e precisa de internação hospitalar. A imobilidade prolongada pode desencadear complicações sérias como trombose, infecções e declínio funcional”, concluiu a especialista.
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.