Setecidades Titulo Combate

Na região, casos de endometriose têm aumento de 19%

Grande ABC registrou 184 internações em 2025 contra 154 em 2024; hoje é celebrado o Dia Nacional de Luta contra a enfermidade

13/03/2026 | 08:00
Compartilhar notícia
Freepik
Freepik Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


As internações por endometriose cresceram 19% no Grande ABC em 2025. No ano passado, foram 184 casos da doença, contra 154 em 2024, segundo dados do DataSUS do Ministério da Saúde. Na média, a região registrou 15 diagnósticos por mês.

O maior número de internações em 2025 ocorreu em São Caetano, com 50 casos. Na sequência, aparecem São Bernardo (43), Santo André (33), Diadema (27), Mauá (20), Ribeirão Pires (7) e Rio Grande da Serra (4).

DGABC

Sancionada em 2022, a Lei 14.324 instituiu a data de 13 de março como o Dia Nacional de Luta contra a Endometriose. Além da mobilização, o mês é marcado pelo Março Amarelo, campanha mundial de conscientização contra a enfermidade.

Segundo o ginecologista e especialista em endometriose, Nicolau D’Amico, trata-se de uma doença inflamatória crônica que afeta mulheres em idade fértil. “O desenvolvimento da doença está relacionado a alguns fatores, principalmente genéticos. Todos os meses, o útero elimina a camada interna, chamada endométrio, processo conhecido como menstruação. Em mulheres com a doença, parte desse sangue pode retornar para a cavidade abdominal e se implantar no abdômen, nas trompas, nos ovários ou em outros órgãos”, explicou o médico.

O organismo não consegue remover esse sangue que se instala no corpo. Dessa forma, a endometriose é caracterizada pela presença do tecido fora do útero, causando transtornos como dor intensa, cólicas menstruais, aumento do fluxo e, em alguns casos, até mesmo a infertilidade.

De acordo com D’Amico, filhas de mulheres com endometriose possuem oito vezes mais risco de desenvolver a doença. 

Ainda segundo o especialista, a alta de registros no Grande ABC é derivado da maior conscientização. “Na verdade, não houve crescimento da doença. O que houve foi uma alta de notificação. Temos que dar parabéns às campanhas que dão maior acesso à informação e ao diagnóstico. Começamos a ter mais ambulatórios de especialidades”, comentou o médico.

Quanto mais precoce o diagnóstico, maiores são as chances de tratamento e menores as complicações. “Dor para menstruar não é normal. Além do antecedente familiar, a ausência em atividades devido às cólicas e a necessidade de anticoncepcional para amenizar as dores devem ser observadas. Se essa mulher tiver todos esses pontos, tem 70% de chance de desenvolver a doença na vida adulta.”

A representante comercial e moradora de São Bernardo, Juliana Don João Juvêncio, 43 anos, foi diagnosticada com endometriose em 2023, após passar pelo Hospital da Mulher do município. Ela conta que sentia dores muito fortes e houve alguns períodos em que chegou a ficar sem conseguir andar.

“Antes de passar no hospital, não conseguiam saber o que eu tinha. Fui encaminhada ao Hospital da Mulher, onde a médica Eliana Duarte me ajudou. Minha endometriose estava no útero e também no intestino. Tinha dores horríveis e cólicas fortes, inclusive nas pernas e nas costas”, comentou a representante. 

Juliana passou por cirurgia em outubro de 2025, na qual foram retirados focos da endometriose, além do útero e das trompas. “Melhorei 100% depois da cirurgia. O acolhimento no Hospital da Mulher me ajudou muito”, concluiu.




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;