Por melhores condições de convivência Entidade comenta que ação coordenada deve preservar indústrias diante do Projeto São Rafael
FOTO: André Henriques/DGABC/Banco de Dados

A Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química) afirma ser vital a necessidade de estipular limites geográficos no entorno do Polo Petroquímico do Grande ABC para garantir condições adequadas de convivência e prosperidade para as indústrias, os moradores e os municípios que compartilham esse território. A instituição representa empresas que compõem esse parque fabril, como a Braskem. Diante da possibilidade da construção de conjunto habitacional, com 700 unidades, próximo à área, em território da Capital, a entidade comunica a importância de atuação coordenada com o poder público na busca de soluções que assegurem a preservação das atividades industriais e a segurança e o fortalecimento das economias regional e nacional.
“A Abiquim acompanha com atenção o debate sobre a implantação do conjunto do Projeto São Rafael, de HIS (Habitação de Interesse Social), nas proximidades. A entidade vê com bons olhos o diálogo sobre a necessidade de institucionalização dos limites geográficos”, informou em nota.
A instituição também ressalta que o Polo Petroquímico do Grande ABC, com mais de 70 anos de história, é protagonista do desenvolvimento econômico e social. “É fundamental conciliar sua presença com a dinâmica de crescimento e transformação das cidades e da população, sem perder de vista a relevância para a geração de empregos, renda e arrecadação”, explica.
Representantes do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC declaram que o projeto São Rafael pode acarretar a evasão de empresas e afetar toda a cadeia química que depende dessas companhias. A demanda foi passada para o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), que concordou em criar soluções para remanejar o conjunto habitacional.
A expectativa é que os integrantes do Consórcio se encontrem na semana que vem com envolvidos no projeto de construção para apresentar as propostas. O presidente da entidade e prefeito de Ribeirão Pires, Guto Volpi (PL), relata que uma das estratégias traçadas por Nunes é a de “permutar uma área de igual tamanho e boa localização”.
Com alvará de área de construção para HIS desde 2016, o projeto prevê 38 mil metros de área edificada em área limítrofe ao Polo Petroquímico do Grande ABC. O centro industrial é responsável por gerar 10 mil empregos diretos e indiretos e R$ 10 bilhões de tributos por ano.
Entre os maiores desafios, o Consórcio indica que a construção de prédios inviabilizaria medidas de segurança estipuladas pelo espaço, que exigem que a comunidade esteja apta a colocar em funcionamento o plano de evacuação de emergência a qualquer momento.
O Diário questionou a Prefeitura de São Paulo sobre quais estratégias podem ser executadas para conciliar as ações e aguarda retorno.
Ciesp Santo André aponta riscos para empresários
A preocupação sobre as consequências para a economia local caso o conjunto habitacional do projeto São Rafael seja construído próximo ao Polo Petroquímico do Grande ABC já é um dos temas prioritários da nova diretoria do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) Santo André. A regional, que também inclui Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, vê com apreensão a possibilidade de andamento das obras, que, segundo a instituição, podem travar o desenvolvimento e a segurança do setor.
O diretor da entidade, Eduardo Batistella Mazurkyewistz, afirma que a discussão é sensível e não deve ser tratada sem a devida responsabilidade.
“A instalação de um conjunto habitacional nas proximidades representa risco concreto para as empresas que estão na área e movimentam a economia e geram milhares de empregos no Grande ABC. Medidas desse tipo, se conduzidas sem uma análise técnica aprofundada, podem comprometer a atividade industrial e criar insegurança para investimentos já estabelecidos”, diz Mazurkyewistz. “Ignorar esses fatores significa colocar em jogo não apenas as companhias da região, mas também os empregos e a arrecadação que sustentam os municípios do entorno”, complementa.
Em São Paulo, o setor químico é o maior contribuinte de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), tendo recolhido, em 2024, R$ 13,4 bilhões. “O Polo é um importante vetor de crescimento econômico do Estado, que concentra 55% das unidades produtoras de itens químicos de uso industrial do Brasil”, informa a Abiquim (Associação Nacional da Indústria Química).
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