Economia Titulo Por melhores condições de convivência

Abiquim ressalta necessidade de limites geográficos no Polo Petroquímico

Entidade comenta que ação coordenada deve preservar indústrias diante do Projeto São Rafael

Beatriz Mirelle
12/03/2026 | 08:40
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FOTO: André Henriques/DGABC/Banco de Dados
FOTO: André Henriques/DGABC/Banco de Dados Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química) afirma ser vital a necessidade de estipular limites geográficos no entorno do Polo Petroquímico do Grande ABC para garantir condições adequadas de convivência e prosperidade para as indústrias, os moradores e os municípios que compartilham esse território. A instituição representa empresas que compõem esse parque fabril, como a Braskem. Diante da possibilidade da construção de conjunto habitacional, com 700 unidades, próximo à área, em território da Capital, a entidade comunica a importância de atuação coordenada com o poder público na busca de soluções que assegurem a preservação das atividades industriais e a segurança e o fortalecimento das economias regional e nacional.

“A Abiquim acompanha com atenção o debate sobre a implantação do conjunto do Projeto São Rafael, de HIS (Habitação de Interesse Social), nas proximidades. A entidade vê com bons olhos o diálogo sobre a necessidade de institucionalização dos limites geográficos”, informou em nota. 

A instituição também ressalta que o Polo Petroquímico do Grande ABC, com mais de 70 anos de história, é protagonista do desenvolvimento econômico e social. “É fundamental conciliar sua presença com a dinâmica de crescimento e transformação das cidades e da população, sem perder de vista a relevância para a geração de empregos, renda e arrecadação”, explica.

DGABC

Representantes do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC declaram que o projeto São Rafael pode acarretar a evasão de empresas e afetar toda a cadeia química que depende dessas companhias. A demanda foi passada para o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), que concordou em criar soluções para remanejar o conjunto habitacional. 

A expectativa é que os integrantes do Consórcio se encontrem na semana que vem com envolvidos no projeto de construção para apresentar as propostas. O presidente da entidade e prefeito de Ribeirão Pires, Guto Volpi (PL), relata que uma das estratégias traçadas por Nunes é a de “permutar uma área de igual tamanho e boa localização”.

Com alvará de área de construção para HIS desde 2016, o projeto prevê 38 mil metros de área edificada em área limítrofe ao Polo Petroquímico do Grande ABC. O centro industrial é responsável por gerar 10 mil empregos diretos e indiretos e R$ 10 bilhões de tributos por ano.

Entre os maiores desafios, o Consórcio indica que a construção de prédios inviabilizaria medidas de segurança estipuladas pelo espaço, que exigem que a comunidade esteja apta a colocar em funcionamento o plano de evacuação de emergência a qualquer momento.

O Diário questionou a Prefeitura de São Paulo sobre quais estratégias podem ser executadas para conciliar as ações e aguarda retorno.

Ciesp Santo André aponta riscos para empresários

A preocupação sobre as consequências para a economia local caso o conjunto habitacional do projeto São Rafael seja construído próximo ao Polo Petroquímico do Grande ABC já é um dos temas prioritários da nova diretoria do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) Santo André. A regional, que também inclui Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, vê com apreensão a possibilidade de andamento das obras, que, segundo a instituição, podem travar o desenvolvimento e a segurança do setor. 

O diretor da entidade, Eduardo Batistella Mazurkyewistz, afirma que a discussão é sensível e não deve ser tratada sem a devida responsabilidade. 

“A instalação de um conjunto habitacional nas proximidades representa risco concreto para as empresas que estão na área e movimentam a economia e geram milhares de empregos no Grande ABC. Medidas desse tipo, se conduzidas sem uma análise técnica aprofundada, podem comprometer a atividade industrial e criar insegurança para investimentos já estabelecidos”, diz Mazurkyewistz. “Ignorar esses fatores significa colocar em jogo não apenas as companhias da região, mas também os empregos e a arrecadação que sustentam os municípios do entorno”, complementa.

Em São Paulo, o setor químico é o maior contribuinte de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), tendo recolhido, em 2024, R$ 13,4 bilhões. “O Polo é um importante vetor de crescimento econômico do Estado, que concentra 55% das unidades produtoras de itens químicos de uso industrial do Brasil”, informa a Abiquim (Associação Nacional da Indústria Química).




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