Saúde Neste ano, região já teve dois casos da doença; em 2025, foram 14, com três mortes e, no período anterior, 25 ocorrências e seis óbitos
FOTO: Claudinei Plaza/DGABC

Em épocas de chuvas, Santo André registrou a primeira morte por leptospirose de 2026 no Estado de São Paulo. De acordo com o GVE (Grupo de Vigilância Epidemiológica), vinculado à Secretaria de Saúde do governo estadual, o Grande ABC teve dois casos confirmados da doença neste ano e um óbito. Os dados foram atualizados na última quinta-feira (5).
Segundo a Prefeitura de Santo André, a vítima foi um homem em situação de rua de 54 anos, atendido no Centro Hospitalar Municipal.
Além do município andreense, São Bernardo foi a outra cidade da região a registrar a enfermidade. Até a data de atualização, o Estado marcou 35 diagnósticos.
De acordo com o GVE, os casos no Grande ABC caíram em 2025 em comparação a 2024. No ano passado, foram 14 ocorrências, com três mortes, ante 25 casos e seis óbitos no período anterior. Dessa forma, os diagnósticos diminuíram em 44% de um ano para outro e as vítimas fatais, em 50%.
Em relação às cidades com maior incidência na região, São Bernardo aparece em primeiro lugar, com cinco casos, e Rio Grande da Serra logo depois, com três. Na sequência, estão Diadema e Mauá, com dois cada, além de São Caetano e Mauá, com uma ocorrência cada.
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A leptospirose é uma doença causada pela bactéria leptospira e transmitida pelo contato com urina de animais infectados (roedores) ou água e lama contaminadas.
Apesar da queda no número de casos, o período de chuvas ainda traz uma preocupação de proliferação da doença. O Ministério da Saúde confirmou que as inundações e enchentes estão frequentemente associadas aos casos devido à contaminação da água por urina de ratos.
O professor de infectologia do Centro Universitário FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), Juvencio Furtado, afirmou que alguns casos podem desenvolver problemas graves. “A bactéria entra através da pele imersa na água da enchente, depois vai penetrando no organismo até cair na corrente sanguínea e se espalhando nos outros órgãos. Muitas vezes a doença é assintomática, a pessoa não sente nada. Outra vezes, tem manifestações clínicas importantes, que pode ser uma dor de cabeça e uma febre. A forma grave pode gerar insuficiência renal e icterícia (olho e pele amarelados)”, comentou.
Além disso, o especialista ressaltou que pode acontecer sangramento no pulmão, o que aumenta a letalidade da doença. Ainda segundo Furtado, a maior prevenção a ser feita é, justamente, melhorar a drenagem urbana, combatendo as enchentes e também o controle dos roedores.
Para ele, a diminuição dos casos em 2025 é algo eventual, relacionada à subno-tificação.
A Prefeitura de Santo André explicou que realiza desratização, que pode ser solicitada via aplicativo Colab, e ações educativas para descarte correto de lixo.
Além disso, a administração disse que investe em mais sete reservatórios para inibir enchentes e afirmou que o Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André) possui um cronograma mensal de limpeza dos equipamentos de drenagem.
Já a Prefeitura de Rio Grande da Serra, segunda cidade da região com maior número de ocorrências em 2025, disse que realiza vigilância em locais para inibir proliferação de roedores. “No âmbito da Vigilância Sanitária, são realizadas inspeções sanitárias, orientações à população e a estabelecimentos quanto às boas práticas de higiene, além da notificação de responsáveis quando são identificadas condições que favoreçam a presença de roedores”, comentou.
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