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MP investiga vereador Matheus Gianello por manter assessores fantasmas

Crimes de peculato e improbidade podem ser imputados ao parlamentar opositor de Tite em São Caetano

10/03/2026 | 08:05
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FOTO: Denis Maciel/DGABC/Banco de Dados
FOTO: Denis Maciel/DGABC/Banco de Dados Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Matheus Gianello (PL), advogado e vereador de São Caetano, é investigado pelo MP-SP (Ministério Público de São Paulo). A 7ª Promotoria de Justiça da Comarca, por meio de inquérito civil, apura denúncia que versa sobre a manutenção de funcionários fantasmas no gabinete parlamentar.

A investigação teve origem em denúncia anônima apontando que a assessora Ana Carolina Oliveira Bruno, nomeada para a chefia de gabinete, teria recebido remuneração integral sem ter prestado serviços. A funcionária, segundo a acusação, viajou para a Itália entre 22 de junho e 4 de julho de 2025, sem pedir férias ou afastamento das funções. Com a ausência, o cumprimento da jornada de 44 horas semanais ficou prejudicado.

A pedido do Ministério Público, a PF (Polícia Federal) confirmou, por meio de certidão do sistema de tráfego internacional, que a servidora Ana Carolina Oliveira Bruno entrou e saiu do Brasil no período suspeito em apuração.

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A acusação formulada junto ao MP-SP indica que Gianello teria cometido grave negligência, uma vez que estava ciente sobre a viagem da chefe de gabinete. A servidora recebeu salário de R$ 17.487,86, sem descontos pelas faltas.

Nos documentos aos quais o Diário teve acesso, a pessoa responsável pela denúncia sustenta que Ana Carolina Oliveira Bruno tem conduta “sistematicamente ausente das fotos de composição do gabinete, reuniões de equipe e eventos externos” da rotina de trabalho parlamentar.

A acusação também aponta que o assessor parlamentar Lucas de Mello Ferrari adotara prática semelhante à da chefe, de se ausentar das agendas ou do expediente. Além disso, fotos anexas na denúncia à Promotoria sugerem que outras duas pessoas, sem qualquer vínculo formal com o gabinete parlamentar, cumpriam funções de assessoria do vereador no ambiente da Câmara.

Matheus Gianello, opositor à gestão do prefeito Tite Campanella (PL), em esclarecimentos à Promotoria, sustenta ser vítima de perseguição política. “(Sou) alvo de reiteradas tentativas de descredibilização (...), de acusações falaciosas, coordenadas e amplificadas”.

O vereador também tenta desqualificar as imagens e informações anexas no dossiê levado ao MP-SP e afirma que a denúncia anônima parte de “alegação infundada e desprovida de qualquer lastro fático”.

Se comprovadas as irregularidades, o liberal poderá responder criminalmente por peculato – quando se apropria, desvia ou subtrai dinheiro, valores ou bens móveis públicos ou particulares de que tem a posse em razão do cargo, em proveito próprio ou alheio – e por improbidade administrativa – conduta ilegal ou imoral de agente público ou terceiro que viole a honestidade na Administração Pública, gerando enriquecimento ilícito e prejuízo ao erário – e, se condenado, fica sujeito à detenção de dois a 12 anos, mais multa, suspensão dos direitos políticos e perda do mandato.

As alegações, no entanto, não foram aceitas e o MP-SP manteve a instauração do procedimento apuratório encaminhando os autos para Conselho Superior do Ministério Público. No despacho, o promotor Rafael de Paula Albino Veiga, agendou para amanhã, às 14h na 7ª Promotoria de Justiça de São Caetano o depoimento de Ana Carolina Oliveira Bruno.

Em nota, a defesa de Gianello diz que o vereador “está seguro de que os fatos serão devidamente esclarecidos, colocando-se à disposição do Ministério Público para colaborar com as investigações e prestar todos os esclarecimentos que se fizerem necessários”. A banca jurídica afirma não fornecer mais detalhes, uma vez que o “procedimento tramita sob sigilo”.

Instada a se manifestar, a Câmara de São Caetano informa que o procedimento se encontra sob análise no âmbito administrativo e está sendo conduzido em caráter sigiloso, a fim de preservar a adequada condução dos trabalhos, a integridade das diligências e os direitos dos envolvidos. A assessoria do Legislativo garante que eventuais apurações são conduzidas em cooperação institucional com os órgãos competentes, inclusive com o Ministério Público, havendo intercâmbio de informações e diligências quando cabível.

As demais pessoas citadas na reportagem não foram localizadas pelo Diário.




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