Força Feminina Ex-catadora de São Bernardo viralizou nas redes sociais com ajuda da filha e hoje é educadora ambiental
FOTO: Nario Barbosa/DGABC

Por muitos anos, a rotina de Eliane Oliveira, 33 anos, começava antes do amanhecer nas ruas de São Bernardo. Empurrando um carrinho e recolhendo materiais recicláveis pelos bairros da cidade, ela transformava o que muitos descartavam em sustento para a própria família.
Hoje, a moradora do Parque São Bernardo vive uma nova fase da vida: deixou as ruas, passou a trabalhar em uma cooperativa de reciclagem e se tornou educadora ambiental.
Natural do município de Itagi, no interior da Bahia, Eliane chegou a São Bernardo há cerca de uma década, movida pela busca por trabalho e melhores condições de vida. A realidade, no entanto, foi mais dura do que imaginava. “Viemos em busca de uma vida melhor. Mas quando cheguei aqui, a adaptação não foi como eu esperava. Lá (na Bahia), mesmo sem muito conforto, a gente tinha uma moradia. Aqui, sem ter onde ficar, tudo fica mais difícil”, lembra.
A situação se agravou quando um parente com quem ela contava para se estabelecer na cidade a deixou sem apoio. Sem casa e tentando reconstruir a vida, Eliane precisou recomeçar praticamente do zero, morando temporariamente na casa da irmã.
Foi nesse contexto que encontrou na reciclagem uma forma de trabalho. “Quando perdi tudo, pensei: ‘preciso encontrar uma forma de trabalhar honestamente.’ Foi quando entrei no mundo da reciclagem”, conta.
Os primeiros dias foram marcados por insegurança e preconceito. “No começo dá vergonha, dá um certo desconforto, porque você está desamparada e nem sempre encontra acolhimento nas palavras das pessoas, mas não deixei nenhuma barreira me destruir. Pelo contrário, isso me fez evoluir.”
Ao longo de dez anos, ela percorreu São Bernardo recolhendo materiais recicláveis para garantir o sustento da casa e criar a filha, Emanuelle Oliveira, 9. A maternidade, segundo ela, foi a maior motivação para continuar. “Minha filha sempre foi minha força. Olhava para ela e pensava que precisava seguir em frente.”
Eliane trabalhava de domingo a domingo e, ao mesmo tempo, precisava conciliar a criação da filha e o cuidado com o pai, que enfrentava um câncer. “Tinha que me dividir em três pessoas ao mesmo tempo. Trabalhava na rua, cuidava do meu pai e também da Emanuelle. Era muito difícil psicologicamente e fisicamente”, relembra.
REDES SOCIAIS
Foi justamente a filha de Eliane quem ajudou a mudar o rumo dessa história. Aos poucos, ela começou a gravar a rotina da mãe com o celular e publicar nas redes sociais. “Todo mundo pensava que era um produtor de vídeo que gravava os vídeos. Não, era minha filha.”
“Mãe, vamos gravar, a gente vai conseguir, vamos chegar lá”, dizia a pequena. A educadora fala do papel fundamental de Emanuelle em sua vida.
A visibilidade também trouxe novas oportunidades e ela passou a atuar na Cooperluz, cooperativa de reciclagem de São Bernardo. “Hoje saí das ruas e me tornei educadora ambiental. É uma nova fase da minha vida.”
Hoje, Eliane soma mais de 450 mil seguidores e cerca de 4 milhões de curtidas nas redes sociais.
Ao olhar para o passado, Eliane diz sentir orgulho do caminho percorrido. “Quando lembro de puxar o carrinho por dez anos e olho para onde eu cheguei hoje, penso: ‘como evoluí’. É uma história de superação que até eu mesma admiro.”
FORÇA FEMININA
A história de Eliane é a última de três reportagens da série Força Feminina, em celebração ao Dia Internacional da Mulher, comemorado no domingo (8).
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