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Psol rejeita federação com PT, mas confirma palanque para Lula

Diretório nacional mantém união com Rede Sustentabilidade e põe fim à proposta impulsionada pelo grupo de Guilherme Boulos

Bruno Coelho
07/03/2026 | 17:02
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FOTO: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
FOTO: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


 O diretório nacional do Psol rejeitou neste sábado (7) a proposta de compor uma federação com o PT para os próximos quatro anos, ideia defendida principalmente pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (Psol). Apesar da negativa, a cúpula psolista confirmou apoio à candidatura pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e sacramentou a intenção de manter a aliança com a Rede Sustentabilidade para o próximo ciclo eleitoral.

Principal entusiasta da composição, o grupo ligado a Boulos chegou a lançar um manifesto endossando a ida do Psol à federação integrada pelo PT, PV e PCdoB. Algumas lideranças do partido apoiaram a iniciativa do ministro, como a deputada federal Érika Hilton (Psol). Entretanto, outros parlamentares e representantes da legenda se colocaram contrários à união com o petismo, por entenderem que a sigla passaria a ficar subordinada ao Palácio do Planalto, obrigando a efetivar apoio políticos indesejados atualmente por alas psolistas.

Desse modo, o núcleo da legenda optou por não avançar com a intenção de compor o bloco com o PT no próximo quadriênio e seguir somente com a federação junto à Rede. “O tema foi acolhido e, assim como os demais, debatido de modo democrático e amplo, conforme nossa tradição partidária. Vamos seguir agora orientados pelas decisões hoje tomadas, mas sempre com respeito a posições divergentes”, disse a presidente nacional do Psol, Paula Coradi.

DGABC

No Grande ABC, os dois vereadores do Psol, Ricardo Alvarez e Bruna Biondi – de Santo André e São Caetano, respectivamente –, manifestaram o desejo de apoiar o quarto mandato de Lula à frente ao Palácio do Planalto, no provável enfrentamento ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), sem necessariamente firmar o vínculo partidário com o PT. De acordo com o parlamentar andreense, inclusive, houve uma tentativa de colocar o tema em debate na “correria” movido a pressão externa.

“É importante dizer que é quase uma unanimidade dentro do Psol apoiar a reeleição de Lula, e os candidatos ao Senado e a governador que vão compor essa frente, assim como apoiamos na eleição passada, por entender que a questão central é o enfrentamento do fascismo e da extrema-direita na regressão de direitos. Essa frente, porém, não pressupõe federar nos próximos quatro anos com o PT”, pontuou Alvarez. 

Segundo Bruna Biondi, vereadora mais votada em São Caetano – 5.848 sufrágios –, uma composição de bloco com o PT significaria a diminuição do Psol nas candidaturas proporcionais, no caso de deputados estaduais e federais. Outro ponto defendido pela parlamentar é que essa junção levaria ao rompimento da independência no campo da esquerda, sendo obrigado a apoiar nomes que não são endossados por psolistas, como do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), ao governo fluminense, com o apadrinhamento de Lula.

“Eu sou contra essa federação. O Psol não está dividido, pois a maioria é contra o convite. O que há é um movimento que parte do grupo político representado por Boulos diante dessa necessidade de federação, desde que ele assumiu como ministro, por um projeto político pessoal para se desenhar como um sucessor da figura do Lula”, ressaltou Bruna Biondi.

Pelo lado do PT, o vereador Ananias Andrade, de São Bernardo, avaliou que uma aliança com o Psol traria resultados eleitorais, mas que os dois partidos têm atuações distintas no campo da esquerda. “Se já tivéssemos uma federação com o Psol em 2024, hoje teríamos pelo menos cinco vereadores do PT em São Bernardo (ao invés de quatro). Do ponto de vista ideológico, sinto que o Psol, que pauta questões mais ligadas às liberdades individuais, ficaria prejudicado em favor do PT, que busca composições mais amplas e a defesa de um projeto de reforma do Estado brasileiro, e que assimila melhor as relações com as realidades locais”, frisou. 




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