Luta Instituição que acolhe população LGBTQIAPN+ em situação de vulnerabilidade no Grande ABC denuncia risco de fechamento e pressões da vizinhança
FOTO: Divulgação

A Casa Neon Cunha realizada um ato público em defesa da permanência da instituição, na Rua Luiz Ferreira da Silva, 183, no bairro Anchieta, em São Bernardo, neste sábado (7). A mobilização reúne apoiadores, moradores e representantes de movimentos sociais para chamar atenção para as dificuldades financeiras enfrentadas pela organização, que atende pessoas LGBTQIAPN+ em situação de extrema vulnerabilidade.
Fundada em 2018, a Casa Neon Cunha oferece acolhimento provisório, proteção e acompanhamento social para pessoas expulsas de casa, em situação de rua ou sem rede de apoio familiar. Desde 2021, quando passou a funcionar em sede própria, tornou-se o único abrigo voltado especificamente para essa população em toda a região do Grande ABC.
De acordo com a organização, o espaço funciona 24 horas por dia e atualmente conta com 24 vagas de acolhimento, todas ocupadas. A instituição afirma atender cerca de 250 pessoas por mês, oferecendo não apenas moradia temporária, mas também acesso a alimentação, atendimento em saúde, qualificação profissional e apoio para reconstrução de vínculos sociais.
Apesar do alcance do trabalho, a Casa Neon Cunha afirma enfrentar dificuldades para manter as atividades. Segundo a instituição, o custo mensal de funcionamento gira em torno de R$ 160 mil, valor destinado a despesas como aluguel, alimentação, contas de serviços, manutenção do espaço e equipe técnica.
A organização informa que parte da manutenção vem de emendas parlamentares e apoios pontuais, mas considera que os recursos ainda são insuficientes para garantir estabilidade financeira a longo prazo. Além das dificuldades econômicas, a instituição relata resistência de parte da vizinhança, que associa as pessoas acolhidas a problemas de segurança e desordem.
No manifesto divulgado para o ato, a Casa Neon Cunha afirma que a mobilização busca sensibilizar autoridades públicas, empresas e a sociedade civil sobre a importância do serviço. A instituição também defende que políticas de acolhimento voltadas à população LGBTQIAPN+ ainda enfrentam preconceito e falta de investimento no País.
Os organizadores destacam que o ato deste sábado pretende reforçar o pedido por apoio institucional e financeiro para garantir a continuidade do trabalho. Segundo a Casa, o fechamento do espaço significaria a perda de uma das poucas estruturas de acolhimento voltadas a essa população na região.
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