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‘Nosso trabalho valoriza uma à outra’

Mulheres e Mães Jardineiras do Grande ABC realizam projeto para cultivar ervas medicinais e reforçar a coletividade feminina na região

07/03/2026 | 08:43
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FOTO: Nario Barbosa/DGABC
FOTO: Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O projeto Mulheres e Mães Jardineiras do Grande ABC leva o cultivo de ervas medicinais, a união feminina e a conexão entre ancestralidade e futuro como pontos principais das atividades. 

Seguidora do trabalho do padre Ticão, a vice-presidente do movimento e coordenadora regional, Margarete Suzano Di Cicco, 62 anos, foi responsável por trazer o projeto ao Grande ABC. Segundo ela, a iniciativa surgiu inspirada em uma experiência já existente na Zona Leste Capital. “O padre Ticão sempre incentivou o plantio e o cuidado com a terra. Lá já havia um espaço onde ele comercializava as ervas. Em 2019, pensei em trazer essa mesma vivência para a região”, explicou.

E foi assim que a iniciativa foi implementada, no ano passado, em um espaço físico no Jardim Ana Maria, em Santo André. Em fase inicial, o projeto conta com apoio da Prefeitura andreense e do Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André). 

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“Fazemos o plantio de ervas medicinais com mães atípicas e mulheres em vulnerabilidade social da região. É um trabalho técnico com equipes multidisciplinares. Tem pessoal da educação, da saúde e da agronomia. Plantar não é uma coisa tão simples, então organizamos assim, para dar uma formação para as participantes”, disse a coordenadora.

Atualmente, o trabalho social conta com 13 mulheres voluntárias. Algumas das ervas cultivadas são: hortelã, capim-limão, poejo, erva-baleeira, erva-cidreira, boldo e outras opções. O boldo, por exemplo, pode ser utilizado para tratar distúrbios digestivos e hepáticos na vesícula e no fígado. A erva-cidreira, geralmente, é utilizada para problemas no intestino delgado e também para melhoria do sono.

A relação com a memória afetiva também é uma peça-chave das atividades. Para Margarete, muitas pessoas relembram antigas histórias das famílias. “Esse também é um diferencial. Todas as pessoas que falam sobre ervas medicinais têm uma lembrança, então, resgatamos a questão da ancestralidade e do cuidado. Lembro da minha avó, tias e tios que faziam antigamente”, relatou.

Para ajudar as mães e mulheres em situação de vulnerabilidade, o próximo passo do projeto é criar renda para as voluntárias, orientadas pelos princípios da Economia Solidária. “Estamos dialogando com os ministérios da Saúde e do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar para fazer conexão com a questão do Farmácia Viva. Por ser um trabalho genuinamente feminino, mostramos determinação e que a gente valoriza uma à outra”, disse Margarete. O Farmácia Viva é um programa do SUS (Sistema Único de Saúde) que promove o uso sustentável de plantas para fins medicinais.

Além da cidade andreense, a iniciativa também deve ser expandida para os outros municípios do Grande ABC.

A ex-vereadora de Santo André e coordenadora do Mulheres e Mães Jardineiras do Grande ABC, Professora Bete Siraque (PT), comentou que a conexão entre as participantes é um dos principais fundamentos do projeto. “Todas temos uma avó que oferecia um chazinho de hortelã quando estávamos mal. Isso está ligado à nossa cultura, em especial com a conexão entre as mulheres. Sem dúvida nenhuma, resgata a força feminina e o sentido de ninguém soltar a mão de ninguém”, disse.

A desempregada Luana Luz, 27 anos, integra a iniciativa desde novembro de 2025. Mãe do estudante Miguel Luz, 9, uma criança com TEA (Transtorno do Espectro Autista), a participante relatou que o projeto ajuda na sua saúde mental. “Minha vida é para meu filho e o projeto é para cuidar justamente das mães. Sabemos que muitas fogem do próprio cuidado. Acho muito importante um projeto que olha por nós. Estou aprendendo bastante sobre o cultivo de plantas”, falou Luana.

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