Repasses Ipiranga faz reajuste mesmo sem anúncio da Petrobras e associação indica defasagens de R$ 1,51 por litro de diesel e R$ 0,47, na gasolina
Denis Maciel/DGABC

Os preços dos combustíveis já têm sofrido alterações por causa das ofensivas dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Mesmo sem anúncio oficial da Petrobras, a empresa Ipiranga implementou, nesta quinta-feira (5), reajustes no diesel e gasolina sem detalhar as porcentagens. A Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis) destaca que as defasagens nos valores praticados pela estatal atingiram recordes. Segundo a entidade, sem alteração da estatal, o diesel nas refinarias está R$ 1,51 por litro mais barato do que a paridade de importação (defasagem de 41%) e a gasolina, R$ 0,47 por litro (-16%).
“O acompanhamento dos preços dos combustíveis no mercado nacional aos do mercado internacional é recomendável para mitigar riscos de desabastecimento e desalinhamento dos fluxos logísticos existentes na cadeia de suprimentos”, informa a Abicom.
O caminhoneiro Douglas de Jesus, 41 anos, que trafega de Itaquera, na zona leste da Capital, até o Grande ABC toda semana, sente no bolso as alterações. “Pesa bastante porque o diesel aumenta, mas o frete continua a mesma coisa. Se eu repasso, outro motorista faz mais barato e eu acabo no prejuízo. Tenho pesquisado bastante para achar o posto mais barato. Combustível domina 30% do que eu ganho com o meu trabalho.”
Com o fechamento do Estreito de Ormuz, onde transita 20% de todo o petróleo comercializado no mundo, as repercussões econômicas tendem a aumentar. “O mercado passa a precificar a possibilidade de interrupção na oferta, mesmo que ela não ocorra de fato. A alta da incerteza eleva os contratos futuros do barril”, comenta o professor de economia da Strong Business School Jarbas Thaunahy.
Ele explica que a Petrobras utiliza como referência o preço internacional do petróleo e a taxa de câmbio para a formação dos preços domésticos (modelo de paridade internacional). “Se o barril e o dólar sobem, os custos de importação e reposição de combustíveis aumentam. Isso pode gerar reajuste de valores com impacto inflacionário; compressão de margens, se houver decisão de não repassar integralmente; e pressão interna sobre a política de preços, especialmente em ambientes de inflação elevada.”
Em comunicado, a Ipiranga pontua que as mudanças no diesel e gasolina aconteceram “devido aos eventos externos que acarretam em alta nos preços internacionais do petróleo e derivados” e seguirá “atento às movimentações de preços internacionais.”
O petróleo tipo Brent, usado como referência mundial, com vencimento em maio, fechou em alta de 4,93% nesta semana, cotado a US$ 85,41 por barril. O WTI, referência americana, previsto para ser entregue no mês que vem, teve acréscimo de 8,51%, cotado a US$ 81,01 por barril.
A Petrobras declara que avalia o cenário e só fará reajustes quando os preços do petróleo se estabilizarem em novos patamares.
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