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Exposição celebra 30 anos da viagem da USCS ao Japão

Mostra vai reviver histórias dos alunos da turma de 1995 em amistosos de futebol no Oriente

Ryan Leme
Especial para o Diário
05/03/2026 | 09:31
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FOTO: Arquivo Pessoal
FOTO: Arquivo Pessoal Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Trinta anos depois de atravessar o mundo para disputar partidas amistosas de futebol no Japão, o então Imes (Instituto Municipal de Ensino Superior de São Caetano) – hoje USCS (Universidade de São Caetano) – traz de volta as aventuras dos ex-alunos por meio de uma exposição. O projeto USCS no Japão 30 anos: Futebol e Memória será aberta na próxima segunda-feira (9), às 18h, no campus Barcelona, em evento que reunirá ex-atletas, comissão técnica e estudantes atuais para revisitar uma jornada de 28 dias no país oriental.

Em julho de 1995, 20 jogadores e cinco integrantes da comissão técnica embarcaram rumo a Tóquio. A ideia havia surgido alguns anos antes, durante treinos da Atlética, e ganhou corpo com planejamento dos próprios alunos, além de auxílio de patrocinadores e apoiadores, como o Diário

De acordo com Joaquim Celso Freire, professor da universidade e diretor executivo do projeto, a mostra apresentará essa trajetória desde o início. “Quem visitar a exposição, poderá ver a história sendo contada. O que era apenas um sonho dos alunos da década de 1990 se tornou realidade. E esperamos que isso possa influenciar e inspirar os atuais estudantes da universidade”, explica.

DGABC

Foram 12 meses de preparação à época, com 17 amistosos realizados e um processo seletivo que reduziu o grupo inicial de 27 atletas para os 20 que viajaram. A delegação partiu do Brasil na madrugada de 15 de julho, e encontrou um Japão em pleno Verão.

Porém, segundo Eduardo Costa, 59 anos, diretor administrativo da viagem e atualmente conselheiro de empresas, a delegação não estava preparada para todas as diferenças que encontraram na Ásia. “Sofremos um impacto local muito forte. Pegamos um calor muito intenso, com dias de 40°C. Alguns dos alunos ficaram doentes, e os médicos nos aconselharam até a retornar para casa”, relembra.

Para muitos dos jogadores, era a primeira experiência internacional, o que exigiu adaptação. “Eu, por exemplo, nunca tinha saído do Brasil. Para mim, a maior dificuldade foi a comida. Comíamos peixe ensopado no café da manhã, foi um início bastante complicado”, afirma o ex-atacante Marcos Cardoso Lima, 54, hoje administrador de empresas.

As dificuldades nessa adequação se refletiram nos resultados em campo, e o time dos alunos somou quatro derrotas consecutivas nos primeiros amistosos, incluindo um 6 a 0 para o Cosmo Oil Yokkaichi. Capitão da equipe, o volante Milton Pascon, 66, empresário atualmente, admite que o momento abalou o grupo. “O clima pesou, fazíamos reuniões com a comissão, mas nada dava certo. A frustração aliada a problemas físicos gerou um ambiente ruim. Eu mesmo, na condição de capitão, poderia ter tido atitudes mais proativas, mas fui engolido pelo clima geral. Hoje faria muita coisa diferente”, garante.

Segundo os atletas, o nível dos adversários também complicou o desempenho. Preparados para enfrentar outras equipes universitárias, os alunos da USCS, na verdade, se viram frente a frente com times semiprofissionais e combinados de destaques de cidades japonesas, como as seleções de Okayama, Naha e Nago.

Mas a segunda metade da viagem foi marcada pela virada de chave dos atletas do Grande ABC. Já ajustado ao fuso-horário e à rotina japonesa, o Imes fechou a excursão com quatro derrotas, um empate e cinco vitórias, que vieram de modo consecutivo.

CULTURA

Se os resultados se destacaram em campo, os participantes garantem que a integração à cultura japonesa foi o que mais marcou o elenco. A equipe visitou Hiroshima, Kyoto, Nara e o circuito de Suzuka, além de ter ficado hospedada em casas de famílias locais. “Vivenciar uma cultura absolutamente distinta da nossa, em um país onde a organização, a educação, a disciplina e a limpeza eram parte do dia a dia são aprendizados e memórias que ficam para sempre com você”, afirma Lima.

Já Pascon destaca dois momentos simbólicos. O primeiro foi após um jogo televisionado. “Parecíamo até celebridades. Descendo do ônibus, encontramos uma fila super organizada de crianças pedindo nossos autógrafos. Lembrando da história me emociono ainda hoje.” O segundo ocorreu em Okinawa, na visita à casa de familiares de um dos jogadores da região. “Alguém sugeriu cantar o hino do Brasil, junto a outros japoneses. Estávamos com saudade de casa, e com isso a emoção foi total. Para mim foi o clímax desses 28 dias”, relembra.

EXPOSIÇÃO

A ideia da exposição nasceu de um reencontro. Três décadas depois da viagem, os ex-integrantes começaram a se mobilizar para celebrar a data, e a reunião ganhou outra dimensão quando o grupo percebeu a quantidade de materiais preservados ao longo dos anos. “Conversando, vimos que temos vídeos, uniformes, muitos materiais daquela época, presentes que ganhamos, e a universidade decidiu que vai expor isso para os alunos atuais”, relata Costa. Dos 20 jogadores, 17 estarão presentes na abertura, além de toda a comissão técnica daquele período.

Itens como bandeiras, flâmulas, uniformes originais e filmes fotográficos estarão expostos ao público. Ao ter contato com os objetos guardados por 30 anos, a estudante de jornalismo Yasmin Uwa, uma das responsáveis pela organização do projeto, diz que entendeu que a mostra não tratava apenas de futebol. “Nada estava ali por acaso, tudo foi guardado com intenção, eles tiveram um respeito profundo pelo que foi vivido”, afirma.

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