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Grande ABC opera com déficit de 12% no efetivo da PM

Especialista explica que índice considerado tolerável estaria entre 5% e 10% ; 145 novos agentes chegaram à região nesta quarta-feira

05/03/2026 | 07:03
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FOTO: Nario Barbosa/DGABC
FOTO: Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A PM (Polícia Militar) do Grande ABC opera atualmente com um déficit de 12% no efetivo. A região conta hoje com 2.900 policiais militares, quando o número indicado de 3.300, de acordo com apuração do Diário. Nesta quarta-feira (4), 145 novos soldados recém-formados foram incorporados ao CPA/M-6 (Comando de Policiamento de Área Metropolitana Seis), responsável pelo policiamento na região. Os agentes integram o fortalecimento preventivo e ostensivo nas sete cidades.

A defasagem está ligada a fatores estruturais, como remuneração considerada pouco atrativa diante dos riscos da profissão, desgaste emocional elevado e dificuldade de retenção de profissionais, o que faz com que parte dos formados deixe a corporação nos primeiros anos de carreira, conforme explica o especialista em segurança pública e coronel da PM, Temístocles Telmo.

Segundo ele, a Polícia Militar trabalha com uma margem considerada tolerável entre 5% e 10% de déficit. Acima disso, a corporação precisa reorganizar escalas e priorizar o atendimento das ocorrências via 190, o que pode impactar a ampliação do policiamento preventivo nas ruas. Telmo explica que, diante da falta de efetivo, os comandantes realocam policiais  para garantir a resposta às emergências.

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O especialista também aponta que o problema não é exclusivo da região. “Há um cenário nacional de dificuldade de retenção, influenciado pelo estresse ocupacional, pela exposição constante ao risco e pela comparação com outras carreiras públicas e privadas.” Para o coronel, a recomposição depende de concursos frequentes e de políticas que tornem a carreira mais atrativa a longo prazo.

Além da remuneração e do estresse, há um desafio geracional e institucional. “A carreira de policial militar não é apenas um emprego. Ela é literalmente uma escolha de vida. Exige vocação, disciplina e resiliência”, declarou.

Questionada, a SSP (Secretaria da Segurança Pública) informou que, além da recomposição do efetivo, foram entregues 230 novas viaturas à região, com investimento de R$ 57,6 milhões. 

“No âmbito da infraestrutura, em novembro de 2023, foi inaugurada a sede revitalizada da 4ª Companhia do 6º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano , responsável pelo patrulhamento em São Bernardo, com investimento de R$ 300 mil provenientes de emenda parlamentar”, pontuou a Pasta. 

A secretaria destacou ainda que, atualmente, estão em andamento concursos para o preenchimento de 2.205 vagas para soldados de 2ª classe e alunos-oficiais, além de outras 4.200 vagas previstas, cujos editais ainda serão publicados. Com a conclusão dos certames e a formação dos aprovados, a expectativa é de que o déficit da corporação no Estado seja reduzido para 5,5% – a Pasta não informou o índice atual. 

NOVOS PMs

Nesse cenário, o CPA/M-6 recebeu, nesta quarta-feira, 145 novos policiais militares recém-formados, que passam a integrar o efetivo operacional no Grande ABC. Conforme o comandante, coronel Carlos Alberto Rodrigues Sanches Júnior, o reforço será distribuído entre os quatro batalhões territoriais da região.

Serão 57 soldados destinados ao 6º Batalhão, responsável por São Bernardo e São Caetano; 40 ao 10º Batalhão, em Santo André; 34 ao 24º Batalhão, em Diadema; e 14 ao 30º Batalhão, que atende Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. Todos, segundo o comandante, atuarão diretamente no patrulhamento ostensivo e no atendimento de ocorrências.

“É muito importante para o comando regional do Grande ABC receber um reforço significativo como esse. Eles já vão ser imediatamente integrados aos batalhões e vão atuar diretamente na ponta da lança, ou seja, no policiamento ostensivo. Vão todos, sem exceção, trabalhar na viatura, atendendo ocorrência, reforçando o patrulhamento e ampliando a presença da Polícia Militar nas ruas. Isso representa mais capacidade de resposta e mais segurança para o cidadão.”

Sanches explica que a distribuição interna por município será definida pelos próprios batalhões. A escolha das vagas seguirá a ordem de classificação dos soldados no curso de formação.

O comandante afirma ainda que a reposição ocorre de forma contínua, com concursos sucessivos ao longo do ano. Há turmas em formação e a previsão é que novos policiais sejam incorporados nos próximos meses, o que deve contribuir para reduzir gradualmente o déficit.

“Temos as aposentadorias naturais, além de policiais que, por razões diversas, optam por outras carreiras ou não se adaptam ao meio militar e acabam solicitando baixa. Esse fluxo de saídas é permanente, por isso a necessidade de concursos sucessivos para manter o efetivo”, finaliza o Sanches. 

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