Impactados Projeto visa empresas impactadas por legislação dos EUA, que permite alíquotas extras para aço, alumínio e autopeças
FOTO: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O governo federal planeja lançar um novo plano para ajudar os principais setores da economia prejudicados pelo tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desde o ano passado. A prioridade será empresas que estão na Sessão 232 - que ficou fora da decisão da Suprema Corte norte-americana que julgou que as cobranças são ilegais. Nesse grupo estão aço e alumínio, que possuem alíquota extra de 50%, e autopeças, de 25%.
Esse artigo da Lei de Expansão Comercial dos Estados Unidos permite que o governo aplique cobranças sobre importações que ameacem a segurança nacional. Os produtos impactados por essa medida correspondem a 29% das exportações brasileiras ao País (US$ 10,9 bilhões). <EM>
A ideia da União é que o valor para ajudar as companhias venha exclusivamente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e SociaL), sem precisar recorrer ao Tesouro.
“Os recursos já existem, agora tem que ser modelado. A Fazenda está estudando e diz que já desenhou a iniciativa. Nós estamos aguardando agora para o presidente Lula definir a estratégia, mas os recursos existem. Tivemos uma boa experiência com o Brasil Soberano e faremos um Brasil Soberano 2.0. A gente conhece o caminho e agora é priorizar esses setores que estão mais penalizados”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
A primeira edição do Brasil Soberano ofereceu, por meio do banco nacional, linha de crédito extraordinário de R$ 30 bilhões. Deste total, apenas R$ 17 bilhões foram utilizados pelas empresas. Mercadante explicou que deseja usar o dinheiro que “sobrou” para oferecer respaldo aos setores que continuam em defasagem. “São empresas que estão sendo desvalorizadas de forma mais longeva.”
NA REGIÃO
O tarifaço ainda tem fortes repercussões no Grande ABC. As sete cidades movimentaram US$ 288,3 milhões (cerca de R$ 1,51 bilhão) em exportações ao longo de janeiro, queda de 32,4% em comparação ao mesmo período do ano passado, que fechou com montante de US$ 426,7 milhões (R$ 2,23 bilhões). As importações também recuaram, indo de US$ 494 milhões (R$ 2,59 bilhões) no primeiro mês de 2025 para US$ 377,5 milhões (R$ 1,97 bilhão) nos primeiros 30 dias deste ano – decréscimo de 23,6%.
NOVAS DECLARAÇÕES
Para além das alíquotas sobre aço, alumínio e autopeças, existe a nova tarifa global de 15%. Ela entrou em vigor na terça-feira (24) como retaliação do republicano sobre a decisão da Corte norte-americana de derrubar as taxas que foram aplicadas sem autorização clara do Congresso do País.
Ontem, Trump voltou a criticar a medida dos juízes e disse que isso pode, na verdade, resultar na devolução de valores a “países e empresas que vêm explorando os Estados Unidos há muitos anos”. A expectativa era de que as companhias prejudicadas pelas cobranças fossem ressarcidas.
“Tenho certeza de que a Suprema Corte não tinha isso em mente. Não faz sentido que países e empresas que se aproveitaram de nós durante décadas, recebendo bilhões e bilhões de dólares que não deveriam ter recebido, agora tenham direito a um ganho inesperado imerecido, como o mundo nunca viu antes, como resultado desta decisão, no mínimo, decepcionante”, declarou.
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