Levantamento Aquecimento do mercado de trabalho justifica resultado positivo, enquanto baixa oferta de imóveis para aluguel motivam retração
FOTO: DGABC/Banco de Dados

A comercialização de imóveis no Grande ABC teve alta de 17,2%, enquanto a locação caiu 19% em janeiro frente ao mês anterior. No período, o Estado de São Paulo apresentou queda de 4% nas vendas e aumento de 18% nos aluguéis. O mercado consumidor mais otimista e a forte base industrial ajudam a justificar o resultado positivo para quem desejava ter um imóvel próprio, enquanto a baixa demanda e gastos com despesas extras motivam a retração.
“Analisamos cidades com boa oferta de empregos, bem aquecidas e movimentadas. Isso impacta nas vendas, que tiveram uma eventual melhora. A expectativa de redução da taxa básica de juros, a Selic, já apresenta repercussões no mercado, que se mostra mais otimista. Isso somado à carteira de trabalho assinada ajuda as pessoas a terem maior acesso ao crédito imobiliário”, destaca o presidente do Crecisp (Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo), José Augusto Viana Neto.
Apesar de as locações terem recuado, a demanda se mantém consistente no Grande ABC. “Muitas famílias priorizam a reorganização financeira, pagamentos de tributos, como IPTU (Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana) e IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores), e despesas escolares antes de assumir novos contratos. A procura por aluguéis normalmente passa por instabilidades ao longo do ano”, afirma Neto.
As casas representam 60% das locações e os apartamentos, 40%. “Há forte procura por imóveis com maior espaço, privacidade e possibilidade de melhor qualidade de vida. A preferência é por aqueles com dois dormitórios e entre 51 e 100 metros quadrados. Os contratos concentram-se entre R$ 1.251 e R$ 1.750”, explica o presidente.
Segundo o levantamento, o seguro fiança é a principal modalidade de garantia (71,1%). “Isso mostra crescente por soluções mais rápidas e com menor risco de inadimplência”, diz Neto.
VENDAS
De acordo com o Crecisp, que realizou o levantamento com imobiliárias das sete cidades, os números revelam a manutenção de um mercado comprador fortemente dependente do crédito imobiliário, ao mesmo tempo em que “a locação permanece como alternativa relevante de moradia para famílias em fase de ajuste orçamentário ou transição profissional”.
Os apartamentos responderam por 65% das vendas no período, enquanto as casas, 35%, o que reforça o padrão urbano verticalizado no Grande ABC. Entre os apartamentos vendidos, predominam unidades de dois dormitórios (66,7%), entre 50 e 100 metros quadrados.
Nas casas, a preferência dos moradores é por imóveis que possuem de dois a três dormitórios, com destaque para metragens entre 101 e 200 metros quadrados.
A distribuição dos valores tem forte concentração naqueles entre R$ 200 mil e R$ 400 mil, faixa que reúne parte expressiva das transações, embora haja presença relevante de imóveis acima de R$ 500 mil e operações pontuais em valores superiores a R$ 1 milhão. A localização central indicou 63,3% das vendas. “O dado evidencia a busca por infraestrutura urbana consolidada, transporte público, proximidade de emprego e oferta de comércio e serviços”, aponta o conselho. A maioria dos financiamentos foi pela Caixa Econômica Federal (75%).
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