Economia Titulo Jornada reduzida

Entidades da região divergem sobre fim da escala de trabalho 6x1

Sindicatos alegam que operários precisam de tempo de descanso para ter maior produtividade, enquanto empresários apontam corte de vagas

Beatriz Mirelle
26/02/2026 | 08:25
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FOTO: André Henriques/DGABC/Banco de Dados (Ilustrativa)
FOTO: André Henriques/DGABC/Banco de Dados (Ilustrativa) Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O debate sobre o fim da escala 6x1 (trabalha seis dias e folga um) e a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais tem gerado impasses no Grande ABC. De um lado, os sindicatos alegam o direito da classe operária em ter tempo de lazer, descanso e com a família, o que, segundo eles, resulta em ganho de produtividade. De outro, empresários, que temem redução de salários, queda de faturamento e corte de vagas.

Nessa semana, o deputado federal Paulo Azi (União Brasil-BA) foi escolhido como relator da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que trata o assunto na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara.

O diretor administrativo e financeiro do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wellington Messias Damasceno, afirma que, na região, boa parte das empresas contempladas pela entidade já fazem jornadas menores e se mantêm com alta competitividade. 

DGABC

“Ter um trabalhador mais descansado traz benefícios às atividades empresariais. Ele será mais produtivo, terá menos afastamentos ou doenças relacionadas ao trabalho, sejam físicas ou psíquicas. Isso diminui a demanda do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). É possível negociar com o governo medidas de transição para ajudar companhias com poucos funcionários. O Brasil já passou por um processo de achatamento salarial muito drástico durante a última reforma trabalhista e com a pandemia. Com a redução do horário, não haverá grandes mudanças nos salários. É necessário sair da zona de conforto e pensar sobre qualidade dos empregos”, pondera Damasceno.

De acordo com o presidente do Sehal (Sindicato das Empresas de Hospedagem e Alimentação do Grande ABC), Beto Moreira, o principal prejuízo será para pequenos negócios. “Um empresário que fecha dois dias não consegue repassar bons salários. Vai ter que mandar gente embora. Se ele tem três ou quatro funcionários, não vai querer contratar mais diante desse cenário. Empresas grandes conseguem porque são automatizadas e têm mais estrutura. Dá para programar folgas e organizar de outra maneira sem que haja o fim da 6x1.”

O presidente do Sindicato dos Químicos do Grande ABC, José Evandro da Silva, destaca que a redução é uma demanda antiga dos operários. “Temos apenas um dia para cuidar da casa, da família, da saúde, do lazer. As empresas cobram qualificação, mas como isso é possível sendo que a pessoa não tem tempo para nada? Por conta das tecnologias e do nível de produção que temos hoje, a redução é possível”, destaca. “Qualquer pauta que envolve os trabalhadores enfrenta dificuldades para avançar no Congresso Nacional. Apesar disso, as manifestações da sociedade e o ano de eleição fazem com que os parlamentares se sintam pressionados a votar de forma favorável”, complementa Silva.




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