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Educação além do beabá

24/02/2026 | 08:30
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FOTO: DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O Grande ABC inicia o ano com 1.145.211 inadimplentes, 11% acima do registrado em janeiro de 2025. É quase metade da população: 41%. O valor médio devido alcança R$ 7.294,27, crescimento de 14,7% em 12 meses. Em São Caetano, o débito por morador supera R$ 10 mil. O cenário acompanha tendência nacional: 81,3 milhões de brasileiros encerraram janeiro com restrições no CPF (Cadastro de Pessoas Físicas). No Estado, 31,4% das pendências estão ligadas a serviços básicos, seguidas por bancos e financeiras. Números revelam que o orçamento doméstico está pressionado por tributos, tarifas públicas e despesas sazonais, o que limita planejamento e amplia a dependência de crédito.

Iniciativas como feirões para limpar o nome e campanhas promovidas por instituições bancárias oferecem descontos e parcelamentos que podem reorganizar contas. Contudo, renegociar não resolve a origem do problema. A repetição de ciclos de endividamento indica falhas na gestão de recursos, na compreensão de juros e no uso de cartão. Educação financeira amplia a capacidade de comparar taxas, avaliar riscos e definir prioridades. Ao entender fluxo de caixa, reserva de emergência e impacto de financiamentos, o cidadão ganha autonomia para decidir com base em dados, reduzindo vulnerabilidade diante de imprevistos e evitando que compromissos assumidos ultrapassem a renda disponível.

Por isso, o Grande ABC deveria instituir programas permanentes de educação financeira. O tema precisa começar na escola, integrado ao currículo desde o ensino fundamental, com conteúdos sobre orçamento, consumo consciente e sistema bancário. Jovens que aprendem cedo a lidar com dinheiro se tornam adultos mais bem preparados para enfrentar períodos de alta no custo de vida. Por que não tratar a questão via Consórcio Intermunicipal? As cidades têm responsabilidade coletiva nesse processo. E muita. Investir em formação nessa área significa prevenir inadimplência, fortalecer a economia regional e promover o desenvolvimento social consistente. Educar vai muito além do beabá.

DGABC



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