Palavra do Leitor
FOTO: DGABC

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Ano eleitoral
Em ano eleitoral, certos parlamentares descobrem subitamente a paixão pela transparência. Falam em ética, prometem fiscalização rigorosa e vestem a fantasia de guardiões do interesse público. Encerrada a campanha, porém, muitos trocam o figurino. Onde antes havia indignação, instala-se a conveniência. Onde havia discurso inflamado, surge a “fila”, o “momento inadequado”, a prudência seletiva. Política não é camarim de teatro. Mandato não é fantasia de Carnaval que se usa conforme o enredo. Quem evita investigação em nome do calendário revela prioridade – e ela não é o eleitor. Máscaras até podem impressionar sob os holofotes. Mas, passada a festa, sobra o rosto verdadeiro. E é esse que comparece às urnas.
Luciana Lins
Campinas (SP)
Decisões de Toffoli
Dias Toffoli é denunciado na OEA (Organização dos Estados Americanos) por desmonte no combate à corrupção. Juiz da Suprema Corte anulou de maneira monocrática quase todas as condenações prolatadas pelo ex-juiz Sérgio Moro da extinta Lava Jato. Todas por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, envolvendo somas astronômicas de dinheiro contra o erário. No Brasil, a corrupção compensa e as punições já viraram brincadeira que nossa sociedade, no cerne dos seus núcleos de poder público e privado, aprendeu: a impunidade leva a se nivelar por baixo, aceitando que roubar o contribuinte já se tornou um ato politicamente correto para que o projeto de poder civil fascista, fundamentado no suborno e em assistencialismo comprador de votos, de todos os partidos siga inexoravelmente avante. A comissão do poder público diante da imunda degeneração moral das relações públicas e privadas nos deixa uma alternativa de qualificação: Estamos diante do poder público em todos os níveis, com raríssimas exceções mais safado, corrupto e sem-vergonha de nossa história. Para chegarmos a tal conclusão, basta nos lembrar dos escândalos do Mensalão, Petrolão, dos fundos de pensão, dos Correios, do Banco do Brasil e tantos outros. Que nação é esta aonde não se vê limite para a falta de moral de homens públicos, catapultado pela postura igualmente imoral de empresários, ambos os lados em sua ânsia de abusar do patrimônio público em benefício próprio. Como explicar o que está acontecendo com o Brasil aos nossos filhos e netos? Ainda pior, que País os aguarda no futuro? Que vergonha! Ao aludir o provecto jurista e honrado Sérgio Moro, expendi as seguintes considerações: Há homens que valem pela posição que ocupam, outros – bem raros, aliás, num País que é um deserto de homens e de ideias – que dignificam e ilustram, com o seu valor pessoal, os postos a que servem. Aqueles passam pelo cenário da vida pública como meteoros de trajetória efêmera e desaparecem sem deixar vestígio; estes, muito ao contrário, se perpetuam e se destacam no meio em que atuam, centralizando atenções e irradiando luz, como astros de primeira grandeza dentro de órbita precisa e imutável.
Francisco Emídio Carneiro
São Bernardo
Polêmica no Carnaval
O desfile realizado em Niterói, com fantasias que ironizavam a família e tocaram em crenças, pegou muito mal. A OAB-RJ (Ordem dos Advogados do Brasil-Rio de Janeiro) teve razão em se manifestar, e a OAB nacional também deveria ter feito o mesmo. Mas nada mata mais um político do que a falta de votos. É nesse silêncio das urnas que se dá a resposta mais clara, elegante e implacável. Quem desrespeita, paga. Quem respeita, colhe confiança.
Izabel Avallone
Capital
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