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Aldemir Humberto Soares: ‘Ideia é fortalecer a união, porque os prefeitos são responsáveis pela FUABC’

23/02/2026 | 08:05
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FOTO: André Henriques/DGABC
FOTO: André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O médico Aldemir Humberto Soares, que assumiu a presidência da FUABC (Fundação do ABC) em 28 de janeiro, tem entre as metas fortalecer a união entre os três prefeitos das cidades mantenedoras, Gilvan Ferreira (PSDB), de Santo André; Tite Campanella (PL), de São Caetano; e Marcelo Lima (Podemos), de São Bernardo. A proposta é reforçar a integração entre os chefes do Executivo, evitar qualquer percepção de favorecimento e alinhar posicionamentos, já que, como destaca Soares, os prefeitos são os responsáveis diretos pela existência da entidade. “A ideia principal é que todo mundo trabalhe com todo mundo”, afirmou.

Raio-X

Nome: Aldemir Humberto Soares

DGABC

Aniversário: 6 de fevereiro

Onde nasceu: Leópolis, Paraná

Onde mora: São Paulo

Formação: Médico radiologista

Um lugar: São Paulo

Time do coração: Palmeiras

Alguém que admira: Carlos Eduardo Vallin Teles, diretor do Serviço Radiologia do Hospital do Servidor Público Estadual

Um livro: Bíblia

Uma música: Todas as do Djavan

Um filme: O Poderoso Chefão, triologia dirigida por Francis Ford Coppola

O sr. assumiu recentemente a presidência da FUABC e, em sua primeira entrevista à imprensa, afirmou que queria primeiro tomar conhecimento da situação da instituição. Após esses primeiros dias, qual é o diagnóstico inicial do cenário encontrado?

Realmente, a Fundação está maior do que eu até imaginava. Não completamos nem um mês ainda e, como tem muito campo de trabalho, não é uma empresa concentrada em um edifício só, leva um tempo maior para reconhecer tudo. Pretendo visitar todas as unidades, que até agora, praticamente, não deu tempo. Hoje tem uma situação que acho estável. Tem umas questões que precisam ser resolvidas, mas eu acho que são equacionáveis. Estamos trabalhando para que a Fundação se sustente sempre, talvez em outro modelo, sem pensar muito que cada município tem a sua vez. A vez tem de ser a da Fundação sempre, não importa quem está na presidência. Fazer algo mais unificado.

Como está o relacionamento da Fundação com os prefeitos das cidades mantenedoras e de que forma o sr. pretende conduzir esse diálogo ao longo da gestão?

A Fundação está aberta a todos. Já estamos programando reuniões mensais ou bimestrais com os três prefeitos mantenedores, sempre juntos, para alinhar discursos e estratégias. A cada 30 ou 45 dias queremos reunir todos para discutir a região de forma integrada. A ideia é fortalecer a união e evitar qualquer percepção de favorecimento, porque eles são realmente os responsáveis diretos pela existência da Fundação. Pretendemos afinar todos os discursos, os trabalhos, até porque o prefeito também, às vezes, traz alguma coisa a mais que ainda não estamos reconhecendo, porque ele está no dia a dia da cidade. A ideia principal é que todo mundo trabalhe com todo mundo.

Como o sr. avalia a condução da gestão ao lado de Ricardo Carajeleascow, que é vice, e de que forma tem se dado a divisão de responsabilidades no dia a dia?

Estamos trabalhando bem em conjunto. A decisão final é do presidente, mas ele acompanha todas as discussões. Teoricamente é o próximo presidente. Então, é importante que chegue preparado. Não tenho problema nenhum que participe da gestão. Estamos abrindo as portas para que participe de tudo. É uma gestão bem conjunta.

Como está o diálogo com a nova reitoria da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), principalmente em relação aos estágios?

Estamos trabalhando em conjunto com a nova reitoria, sem problema nenhum. Discutimos quase diariamente. A Fundação deve os estágios à faculdade. É importante para a formação dos profissionais que acabam ficando na região. No Hospital Mário Covas (em Santo André), que é contrato de gestão nosso, (o estágio) fica inteiro para a faculdade. Nas outras unidades, vamos trabalhar para ampliar a participação, mas com diálogo. Inclusive, em unidades fora do Grande ABC, a ideia é ampliar essa participação. 

Quais áreas ou setores o sr. vai priorizar nesses primeiros 100 dias de gestão?

A área da saúde é muito dinâmica, principalmente nos tempos atuais. Ao mesmo tempo que estou conhecendo, estamos incorporando novas unidades. Uma parte do tempo é dedicada ao que está chegando e outra, ajustando o que já temos. Como há muitos contratos de gestão, alguns vencendo em seis meses ou um ano, precisamos estar organizados. É muito importante garantir que a Fundação não perca o que já tem. Estabilizar bem as unidades para que, quando forem para novo chamamento, estejam em uma situação tranquila e tenham cumprido o papel proposto nos cinco anos. Acho que em um ou dois meses teremos domínio maior da situação. 

Quais são as metas de médio e longo prazo?

Primeiro conhecer todas as unidades e seus problemas. Rever o parque tecnológico, pois equipamentos após dez anos precisam ser substituídos. A tecnologia muda e traz mais benefícios. A Fundação tem capacidade para isso, com diálogo com o governo do Estado, já que investimentos em hospitais estaduais dependem dele.

O sr. mantém expectativa de expandir a FUABC?

Sim. A instituição já é imensa, com mais de 30 mil funcionários, mas tem espaço para crescer. Podemos trazer mais serviços e treinar mais pessoas, inclusive dirigentes. Isso abre campo de formação para gerentes e coordenadores que podem atuar depois aqui na região.

Quantas unidades estão sob gestão da Fundação do ABC atualmente?

Hoje deve estar com 25 unidades sob gestão direta e pelo menos mais 10 ou 12 convênios com o Estado. Nos convênios, a Fundação não assume o hospital inteiro, mas partes assistenciais, como pronto-socorro, UTI (Unidade de Terapia Intensiva), enfermaria ou pediatria.

Como administrar um orçamento de R$ 4,4 bilhões com mais de 30 mil funcionários?

Primeiramente, pagar salários e garantir benefícios. Não existe saúde sem pessoas. O primeiro investimento é nas pessoas e no treinamento. Depois, parcerias precisam ajudar nos investimentos estruturais. Se administro unidade do Estado, ele precisa ser parceiro em reformas e equipamentos. 

O sr. pretende fazer mudanças na diretoria?

Não tenho pretensão de tirar ninguém. Vamos analisar se cada diretor atende às expectativas e se damos condições de trabalho. Em princípio, não haverá grandes mudanças.

Apesar de o sr. estar até recentemente trabalhando em São Paulo, conhece a região; sob seu ponto de vista, quais os maiores gargalos? 

O Grande ABC está bem estruturado. Tem uma estrutura boa para atender ao que precisamos. O que precisamos mais hoje, realmente, é de um maior volume de serviços realizados. Precisamos encolher todas as filas que possam existir na região em cada área da medicina. Essas (filas) ainda não tenho o desenho completo. O que precisa mais, o que precisa menos? Já estamos marcando com o Hospital Mário Covas, que vai ser o primeiro com quem vamos conversar, para identificar o que está sendo represado e o que não está, e como conseguimos ampliar as coisas. Outra questão também é o gerenciamento. Tem serviços que o Mário Covas está fazendo, mas que poderiam ser feitos em outro hospital de menor complexidade. Então, quando tenho um hospital de alta complexidade, preciso trabalhar nele a alta complexidade. Tenho de gerenciar para que não fique se dedicando a casos de baixa complexidade, porque isso acaba formando fila em outro lugar. Esse é um desenho que ainda precisamos estudar no Grande ABC, porque tem muita estrutura e agora preciso saber o aproveitamento de cada uma delas. Algumas podem estar subutilizadas, e você melhora isso se organizar melhor o atendimento. Então, esse é um balanço que hoje ainda não tenho, mas que vamos buscar dentro de todas essas estruturas que existem na região. 

Como o sr. analisa o financiamento público da saúde? 

Primeiramente, precisamos aprender a viver com orçamento que temos e dentro desse orçamento definir se preciso realmente mais e para fazer o quê. Ou se o orçamento que temos é suficiente e poderíamos fazer um pouco mais. Então, é essa conta que vamos levar uns seis meses para chegar a um acordo. Claro que se for preciso vamos na Secretaria de Saúde discutir o orçamento de cada unidade que é financiada pelo Estado. Hoje, tem um ganho grande para os municípios por todo serviço prestado pelos nossos complexos municipais hoje. Antes, São Caetano, Santo André e São Bernardo eram reembolsados pelos serviços de saúde só pela tabela SUS (Sistema Único de Saúde) e agora passam a ser reembolsados pela tabela SUS Paulista (que complementa os repasses do governo federal). É um volume considerável de recursos Isso está valendo desde janeiro e devemos começar a receber a partir de março já em cima da tabela SUS Paulista. Então, isso já deve trazer um recurso bem melhor para a região. Além disso, se houver necessidade, vamos discutir com a Secretaria de Saúde, mas não é só chegar lá e pedir dinheiro. Vou ser cobrado. Não posso prometer que vou fazer 1.000 cirurgias e no final do ano ter feito 500, porque daí vamos ficar discutindo (com a Pasta) se devolvemos metade do dinheiro ou se não recebemos dinheiro para o próximo ano. Hoje há maior cobrança, mais fiscalização em cima da aplicação adequada do recurso.

Qual legado o sr. pretende deixar quando finalizar os dois anos de gestão? 

Pretendo deixar uma Fundação estável econômica e financeiramente e uma grande união entre os três municípios a favor da instituição, sem sobressalto de estar agradando um município, não estar agradando o outro. Deixar como legado que todos entendam que é uma entidade importante, grande e que dentro do Estado de São Paulo tem um significado muito importante no atendimento de saúde pública. Então, espero que todo mundo entenda que deve trabalhar para o povo.




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