Política Titulo No descompasso

Prefeituras da região arrecadaram R$ 18,7 bilhões no ano passado

Montante é 2,65% superior aos R$ 18,2 bilhões apurados em 2024, mas 7,6% inferior ao total previsto nas peças orçamentárias

22/02/2026 | 08:48
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Celso Luiz/DGABC
Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Em um cenário de crescimento moderado da economia, estimado pelo mercado financeiro em 2,25%, e de inflação dentro da meta, as receitas das sete prefeituras do Grande ABC somaram R$ 18,66 bilhões em 2025, montante que considera impostos e repasses dos governos federal e do Estado, entre outras fontes de recursos. O valor é 2,65% superior ao apurado no exercício anterior (R$ 18,18 bilhões), mas ficou 7,6% abaixo do previsto inicialmente pelos sete municípios (R$ 20,2 bilhões).

Descontado o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação oficial do País e fechou 2025 em 4,26%, as receitas somadas dos sete municípios encolheram 1,54%.

Os dados foram compilados pelo Diário com base em informações enviadas pelas prefeituras ao Siconfi (Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro), do Tesouro Nacional, conforme prazos estabelecidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

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No corte geográfico, cinco dos sete municípios da região registraram aumento nominal nas receitas na passagem de 2024 para 2025 (veja gráfico abaixo). O melhor resultado foi o apurado em Diadema, onde o total de recursos cresceu quase 10%, para R$ 2,28 bilhões. No sentido contrário, o orçamento de São Caetano encolheu 0,65% na mesma comparação, para R$ 2,59 bilhões.

Ainda segundo o Siconfi, a arrecadação de impostos e taxas – isoladamente, a principal fonte de recursos dos sete municípios – aumentou 6,02% no ano passado, para R$ 6,47 bilhões. Transferências correntes (destinadas ao custeio da máquina) e de capital (que financiam investimentos), por sua vez, somaram R$ 8,37 bilhões, alta de 4,6% ante o enviado em 2024.

Do total de repasses para os sete municípios, a União contribuiu com R$ 2,52 bilhões (aumento de 8,2%) e o governo do Estado, com R$ 4,25 bilhões (expansão de 2,1%). Outras transferências (incluindo repasses para programas específicos, com rubricas próprias) somaram R$ 1,6 bilhão.

Pelo lado dos gastos, as despesas pagas (terceiro estágio da execução do orçamento público, quando o serviço foi concluído e o prestador recebeu o valor correspondente) somaram R$ 17,33 bilhões nos sete municípios em 2025, montante 0,13% menor que o desembolsado no ano anterior (R$ 17,35 bilhões). Na mesma comparação, as despesas com pessoal e encargos sociais cresceram 3,95%, para R$ 6,39 bilhões.

Cidades ajustam estratégia para elevar arrecadação

As prefeituras do Grande ABC adotaram estratégias distintas para ampliar a arrecadação em 2025. Enquanto alguns municípios investiram na modernização da fiscalização tributária, outros apostaram na captação de recursos externos e no diálogo com os governos estadual e federal.

O secretário de Finanças de Diadema, José Luiz Gavinelli, atribuiu o aumento de quase 10% na arrecadação do município em 2025 a um conjunto de ações adotadas com o objetivo de incrementar as receitas próprias sem aumento da carga tributária.

Entre as ações figuram a atualização do CCM (Cadastro de Contribuintes Mobiliários), com a regularização de cerca de 28 mil empresas (predominantemente microempreendedores individuais); o crescimento de cerca de 10% nas receitas do ISS (Imposto sobre Serviços) das dez maiores atividades realizadas no município por meio de uma fiscalização mais atuante e do aprofundamento do monitoramento tributário; e a atualização do cadastro imobiliário da cidade - segundo Gavinelli, cerca de 120 mil metros quadrados de áreas construídas não constavam do banco de dados.

“Além disso, em conjunto com a Procuradoria do Município, iniciamos a inscrição dos débitos em Dívida Ativa e procedimentos decorrentes, protestos e execução fiscal, o que não era feito desde 2022“, disse o secretário. 

Outras iniciativas adotadas foram a agilização das análises e deliberações de processos relativos a recursos interpostos pelos contribuintes e a provação do Refis, que permitiu que os munícipes colocassem seus tributos em dia com a possibilidade de desconto em multas e juros.

Com receitas de R$ 1,83 bilhão, Mauá aparece entre as 15 cidades que mais arrecadaram no ano passado no Estado de São Paulo. O prefeito Marcelo Oliveira (PT) ressalta, porém, que quando se divide esse montante pelo número de habitantes (estimado em 429,4 mil), o município passa a figurar entre os 100 com menor receita per capita.

“Mesmo com o aumento de 8,07% nas receitas entre 2024 e 2025, ainda lidamos com grande desnível entre o que arrecadamos e o volume de demandas de nossa população. Por isso, temos muita responsabilidade com cada recurso público“, prossegue o petista. “Nosso compromisso é manter o equilíbrio fiscal, gastar melhor e priorizar áreas essenciais como saúde, educação e infraestrutura.”

O prefeito de Mauá destaca ainda que, para enfrentar esse cenário, a administração tem trabalhado fortemente na modernização e no aprimoramento da máquina pública, com o objetivo de tornar a gestão mais eficiente, menos burocrática e mais estratégica. “Ao mesmo tempo, mantemos diálogo permanente e institucional com os governos federal e do Estado para ampliar a captação de recursos, firmar convênios e garantir investimentos que ajudem a cidade a melhorar a qualidade de vida da população.“

SANTO ANDRÉ

Município com o segundo maior orçamento da região, Santo André registrou aumento de 3,74% nas receitas no ano passado, para R$ 4,62 bilhões. O prefeito Gilvan Ferreira (PSDB) disse que o resultado é consistente com o cenário econômico atual. “Ainda assim, trata-se de variação que exige gestão responsável e planejamento rigoroso. A administração municipal mantém o compromisso com o equilíbrio fiscal, a eficiência na aplicação dos recursos públicos e a priorização de políticas essenciais, assegurando a sustentabilidade financeira do município e a continuidade dos serviços à população“, afirmou o tucano.

O prefeito de Rio Grande da Serra, Akira Auriani (PSB), atribuiu o aumento de 8,44% nas receitas em 2025 – variação inferior apenas à observada em Diadema e Mauá – “à captação de recursos externos, que ajudou na composição do orçamento”. A cidade registrou arrecadação de R$ 182,79 milhões. As demais prefeituras não retornaram até o fechamento da edição. 




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