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Rio Grande da Serra programa investimento de R$ 45 mi em pacote de atração de turistas

Intenção da Prefeitura é implementar série de obras para estruturar a cidade e chamar atenção de visitantes, investidores e futuros moradores

Evaldo Novelini
Nilton Valentim
22/02/2026 | 08:35
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Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Planejamento a longo prazo e foco no turismo são as apostas da Prefeitura de Rio Grande da Serra para o desenvolvimento do município. Com a possibilidade de serem iniciadas já neste ano, várias obras estão sendo idealizadas visando a atração de visitantes e também de futuros moradores, principalmente pessoas que alimentam o desejo de fugir da agitação das grandes cidades. A natureza e a proximidade com a Capital (pouco mais de meia hora de trem) são os dois principais trunfos.

Para repaginar completamente a cidade, o prefeito Akira Auriani (PSB) planeja investir cerca de R$ 45 milhões. Serão R$ 20 milhões obtidos por meio de financiamento junto ao Finisa (Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento), linha de crédito ofertada pela Caixa Econômica Federal, e mais R$ 25 milhões que a Prefeitura estima arrecadar com o pagamento de ISS (Imposto sobre Serviços) junto à Sabesp (Companhia de Saneamento do Estado de São Paulo), que realizará obras de transposição de água da Represa Billings para a de Taiaçupeba, no Alto Tietê. A tubulação vai atravessar a cidade.

“Rio Grande da Serra jamais teve um plano de trabalho a longo prazo. As coisas sempre foram feitas de acordo com a necessidade do momento, sem planejamento. Estamos mudando essa realidade”, afirma Akira. 

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O prefeito pretende tirar do papel uma série de intervenções. Ele planeja a construção de um corredor turístico, que ligará a entrada principal da cidade, na Rodovia Deputado Adib Chammas, à Pedreira – espaço onde pratica-se esportes ligados à natureza, principalmente rapel – sem passar pelos bairros, além da imple-mentação de parques lineares, Boulevard Gastronômico na Avenida Jean Lieutaud, e de um mercadão gastronômico e cultural próximo ao terminal rodoviário (que está em construção) e da estação da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), que mudará de local. Entretanto, a edificação atual – a segunda erguida no Estado, atrás apenas da Estação da Luz – será preservada por causa de seu potencial histórico, tornando-se um espaço para exposições e eventos culturais. 

Segundo o prefeito, as obras da nova estação deverão ser iniciadas pela CPTM no segundo semestre de 2027.

A Prefeitura também planeja revisitar a história da cidade, com a reativação do bondinho da Pedreira. O veículo, entre os anos de 1931 e 1969 transportava os trabalhadores que atuavam na extração de pedras, que serviram para o asfaltamento das ruas da Capital e também para a construção de importantes obras, como o Estádio do Morumbi.

Atualmente, o bondinho está exposto na Câmara da cidade e pode ser visitado por turistas e moradores.

Nos planos de Akira Auriani está a criação do Parque Linear Santa Tereza, que será interligado ao Parque dos Ipês. O espaço oferecerá ciclovias, trilhas, circuito para corrida e áreas de lazer.

Também está prevista a revitalização do Centro, com a troca de guias e sarjetas, além de novos pontos de ônibus e arborização. 

Para melhorar a mobilidade, a cidade deverá contar com um viaduto sobre a linha férrea, na região central, eliminando a passagem de nível hoje existente. A obra não terá custos para os cofres municipais, uma vez que será tocada pela MRS Logística, empresa que opera a linha de férrea de transporte de carga, que passa pela cidade.

Akira também pretende buscar junto à iniciativa privada o investimento necessário para a implementação do mer-cadão, que tem pretensão de tornar-se um polo gastronômico e cultural da cidade. 

O prefeito destaca ainda o potencial de Rio Grande da Serra para a atração de condomínios. “Muita gente que hoje vive em São Paulo busca a qualidade de vida e quer morar em um local mais tranquilo. Temos um acesso muito fácil para a Capital e outras cidades da Região Metropolitana”, afirma o prefeito.

Próximo objetivo é obter selo de MIT

Com Orçamento previsto de R$ 187,6 milhões neste ano, Rio Grande da Serra encontra dificuldades para pagar contas básicas. Com 100% de seu território inserido em área de proteção ambiental, sendo que cerca de 60% dos 36,67 km² são cobertos pela Mata Atlântica, o turismo surge como alternativa da administração para ampliar a arrecadação. Atualmente, a cidade se articula para obter o reconhecimento de MIT (Município de Interesse Turístico) do Estado.

“Rio Grande da Serra é um dos poucos municípios do Brasil que não são financeiramente sustentáveis, ou seja, precisam de dinheiro além do Orçamento para fechar as suas contas, daí a nossa necessidade de, aproveitando as belezas naturais que temos, fomentar a atração de turistas”, declara o secretário de Finanças, Ricardo Abilio Rossi Cardoso.

Para ampliar as receitas em cerca de R$ 700 mil anuais, Rio Grande busca o selo de MIT, que lhe garante o repasse do Estado. Neste momento, os deputados estaduais Thiago Auricchio (PL), presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Redação, e Paulo Correa Jr (PSD), que comanda a Comissão de Turismo, estão defendendo os interesses da cidade na Assembleia Legislativa, a quem cabe conceder o título.

“A nossa expectativa é que, como temos todos os atrativos para virarmos MIT, o reconhecimento seja feito ainda neste ano. Não é nem pelo dinheiro em si, mas porque esse é o primeiro passo para chegarmos a ser uma estância turística, aí sim com repasses que podem chegar a R$ 6 milhões por ano”, vislumbra o prefeito Akira Auriani.

Para ser considerada estância turística, de acordo com a Assembleia Legislativa, o município precisa possuir atrativos naturais, culturais, históricos ou religiosos, além de possuir infraestrutura adequada, como rede de hospedagem, serviços de alimentação, saneamento básico e serviços médicos emergenciais.

A cidade possui muitos pontos de visitação. Entre eles, destacam-se a Cachoeira da Fumaça, no meio da floresta, e a Pedreira, área de extração mineral desativada no fim dos anos 1970 e que tem o maior paredão em comprimento da América Latina, com mais de 640 metros, e 70 de altura – onde Akira tem planos de, na época da Páscoa, encenar A Paixão de Cristo.

Obra de adutora da Sabesp preocupa

População e autoridades de Rio Grande da Serra estão preocupadas com os impactos que serão causados pela obra de instalação da adutora que vai interligar a Represa Billings, no Grande ABC, à Taiaçupeba, no Alto Tietê. Dos 38 quilômetros de tubulação, 16 cortarão o território da cidade. O projeto começou a ser desenvolvido em janeiro e tem previsão de conclusão até o fim do ano. A Sabesp, empresa responsável pelo investimento, diz que atua para reduzir os transtornos.

“É uma obra de grande porte e estamos cientes de que algum incômodo ela vai causar. A nossa batalha é que seja o menor possível, para que o morador não seja muito prejudicado no seu dia a dia”, disse o prefeito Akira Auriani (PSB). Seu principal foco de preocupação é o impacto na mobilidade urbana, já que a tubulação vai passar sob os trilhos da Linha 10-Turquesa da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). “Um terço da nossa população sai da cidade para trabalhar; a imensa maioria por trens”, completou o chefe do Executivo.

Moradores temem interdições de vias. A instalação da tubulação deve exigir a abertura de valas com até 15 metros de extensão. “A cidade vai parar. As nossas ruas não suportam esse tamanho, e o resultado será o caos: ambulâncias, viaturas e ônibus não conseguirão passar”, diz trecho de manifesto que pede a interrupção das obras. Até ontem, o abaixo-assinado contava com 1.328 adesões – Rio Grande tem 44.170 habitantes, segundo o Censo mais recente, de 2022.

Sabesp garantiu que se preparou “para causar o mínimo impacto no dia a dia”. “São cerca de 38 quilômetros de tubulações instaladas sob vias públicas e abaixo do solo, após estudos ambientais detalhados, ou seja, mais eficiência com menos interferência na rotina da população”, explicou a empresa, ex-estatal cujo controle hoje é privado, em comunicado publicado na imprensa.

Segundo a Sabesp, “o cuidado com as pessoas faz parte do projeto”. “Antes do início dos trabalhos, equipes dedicadas em conscientização da população conversam com moradores e comerciantes, explicam cada etapa e realizam vistorias preventivas. Durante a execução, há sinalização adequada e comunicação antecipada para reduzir transtornos”, informou a empresa.




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