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Sirenes de emergência podem salvar 5.000 pessoas em Mauá

Equipamentos antecipam possibilidade de deslizamento de terra no Chafick/Macuco

21/02/2026 | 20:17
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FOTO: André Henriques/DGABC
FOTO: André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Considerada a 19ª favela mais populosa do Brasil segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a comunidade do Chafik/Macuco, no bairro Jardim Zaíra em Mauá, passa por ações preventivas de melhoria. Uma delas foi a instalação de duas sirenes de emergência na UBS (Unidade Básica de Saúde) Macuco e na Escola Municipal Arthur Araújo Lula da Silva, acionadas durante fortes chuvas. 

O sistema é fruto de parceria com a Defesa Civil do Estado e é o único do Grande ABC, sendo apenas o nono em todo o território paulista. No dia 6 de fevereiro, a Prefeitura de Mauá realizou um treinamento com residentes para mostrar o que fazer durante as ocorrências.

No Chafik/Macuco, as duas sirenes emitem alerta sonoro de até 120 decibéis e podem alcançar 5.000 moradores com os avisos durante as chuvas, evitando tragédias em casos de deslizamentos de terra. Quando o sistema registra chuvas acima de 80 milímetros, o local entra em estado de emergência. A sirene alerta, indicando que os moradores devem deixar suas casas e ir para o Cras (Centro de Referência de Assistência Social) Macuco, endereço seguro.

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A assessora técnica da Defesa Civil do município, Josiane Francisco, explicou que o território foi escolhido justamente por ser o ponto mais crítico no que se refere a áreas de risco. “A estação (sirene) é composta por oito alarmes e um pluviômetro. O Zaíra tem um fundo de vale, com vários cursos de água e também uma grande declividade. No momento de chuva forte, umedece muito o solo, o que pode causar deslizamentos”, explicou. 

A especialista disse que já há uma nova demanda com o Estado para instalação de outro equipamento na Avenida João Guilherme Bolidoro, também no Jardim Zaíra.

A comerciante Naudete Soares, 73 anos e moradora da comunidade há 40, contou que já presenciou diversas calamidades no bairro e aprovou o equipamento. “Já vi alagamentos, casas caindo e pessoas soterradas. Essa sirene foi uma boa ideia, porque pode ser acionada e permite ter um plano de abrigo. Já houve muita tragédia por aqui”, relatou.

Já a autônoma Quitéria de Almeida, 49, contou que a época de chuvas causa pavor em quem mora no bairro. “Começa a chover, todos ficam desesperados. Cansei de ver pessoas passando com mochila, cobertor e colchão para procurar abrigo.”

ÁREAS DE RISCO

No Grande ABC, quatro prefeituras mapearam 401 áreas de risco de deslizamentos. Mauá possui a maior quantidade, com 215 pontos, seguido de São Bernardo com 100, Diadema com 58 e Santo André com 28. Rio Grande da Serra indicou que há 658 imóveis em localidades de risco. São Caetano não possui. Ribeirão Pires não enviou os números.

Além das sirenes, Mauá realiza outras ações para prevenir e conter riscos geológicos. Um deles foi justamente o trabalho da UFABC (Universidade Federal do ABC) que estudou as áreas e localizou 3.476 casas em risco. “O mapeamento analisou questões físico-territoriais e de vulnerabilidade. Há planos que vão além da Secretaria de Proteção e Defesa Civil. A habitação tem buscado recursos para fazer projetos de infraestrutura. Pela Secretaria de Serviços Urbanos, a cidade tem feito projeto de limpeza de cursos de água e pequenas contenções de encostas”, destacou a assessora técnica Josiane Francisco.

A Prefeitura de Mauá firmou convênio com a ONU-Habitat (Organização das Nações Unidas) para a elaboração de um plano de ação para a urbanização de toda a área do Chafik. A modernização do território será realizada por meio do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) Periferia Viva, com investimentos previstos de R$ 159 milhões.

Pajussara vive com medo das chuvas

Uma das áreas que enfrentam grande preocupação no período de chuvas é o Jardim Pajussara. Moradores relatam alagamentos frequentes nas residências, com a água ultrapassando a altura do joelho, causando destruição de móveis e diversos prejuízos.

Presidente da associação dos moradores, o autônomo Wilson Pinto, 58 anos, mora no bairro desde 1999. “As queixas daqui são as de sempre. As enchentes são constantes, por conta do córrego que passa aqui. Temos também a questão de vias não asfaltadas e outras coisas”, comentou.

O presidente ressaltou que já viu carros sendo arrastados. Além de alagamentos, o bairro também sofre com deslizamentos de terra na parte alta. No território, a precariedade de estrutura é visível com buracos nas vias, obras inacabadas e canos ao ar livre.

A dona do lar Maria de Lima, 67, teve que colocar uma espécie de muro de contenção na porta de sua casa para evitar que a água entrasse. Porém, muitas vezes, a medida não é suficiente. “Quando chove, já fico apavorada. Tentamos fazer de tudo, mas não adianta nada. É uma correnteza muito forte.”

Já o ajudante de pedreiro, João Nilson de Jesus, 57, chegou a perder a geladeira nos temporais do começo do ano. “Na primeira vez, não estava em casa. Quando cheguei, a geladeira estava embaixo d’água, tudo bagunçado. Meus mantimentos foram todos jogados fora e também tive que trocar o colchão”, disse.

Em parceria com o Estado, a Prefeitura de Mauá planeja soluções para o território. A assessora técnica da Defesa Civil do município, Josiane Francisco, classificou como área de risco hidrológico. “O Pajussara foi uma área ocupada de forma irregular. O prefeito Marcelo Oliveira (PT) tem solicitado equipes técnicas que façam estudos para regularização, não só fundiária, mas também urbanística, para sanar esse tipo de problema. São feitos trabalhos de manutenção periódica e a macrodrenagem é discutida via Consórcio Intermunicipal do Grande ABC com o governo do Estado.”




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