Setecidades Titulo Recorde

Em janeiro, 9 a cada 10 mortos no trânsito da região são homens

Das 22 vítimas fatais, apenas uma é mulher e 70% têm menos de 49 anos

19/02/2026 | 17:11
Compartilhar notícia
FOTO: Denis Maciel/DGABC
FOTO: Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O trânsito do Grande ABC contabilizou, em janeiro, 22 mortes, sendo 21 delas (95%) de homens. Trata-se do maior índice de mortalidade masculina para o mês desde o início da série histórica, em 2015, do InfoSiga, sistema de monitoramento do governo estadual administrado pelo Detran-SP (Departamento de Trânsito de São Paulo).

A única mulher (5%) que morreu no trânsito entre as sete cidades era de Santo André e tinha entre 50 e 54 anos. Embora o público feminino registre menor número de vítimas fatais, esteve presente em quase 30% dos acidentes: das 408 ocorrências contabilizadas, 120 envolveram mulheres.

A proporção de mortes entre os sexos é maior no Grande ABC que no Estado, onde 340 (81%) dos 420 óbitos foram homens e 80 (19%) mulheres. Na Capital, foram 65 mortes - 54 (83%) do público masculino e 11 (17%) do feminino. 

DGABC

O consultor de trânsito e professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Creso Peixoto, associou a predominância masculina ao machismo, que se soma ao descumprimento das regras. 

“Há uma imprudência maior entre os homens e uma visão de que colocar o pé no acelerador é demonstração de capacidade de guiar. Associado a isso, existe um descrédito das leis de trânsito. Vemos comumente o repique, que é aquela aceleração diante do fechamento do semáforo, assim como motociclistas, ultrapassando o sinal vermelho”, avaliou. 

Na região, a cidade com maior número de óbitos no mês passado foi São Bernardo (7), seguida de Santo André e Diadema, com 5 cada, Mauá (4) e Ribeirão Pires (1). Não houve registros em São Caetano e Rio Grande da Serra. 

A maioria dos homens que vieram a óbito tinha menos de 49 anos - 15 vítimas fatais (70%). Três vítimas tinham mais de 70. Do total de mortes, nove tiveram a participação de motocicletas, cinco de pedestres, cinco de automóveis, uma de caminhão e uma de bicicleta. Uma delas não foi especificada. 

Nas sete cidades, das 1,64 milhões de CNHs ativas, 489,7 mil são relativas às categorias A (A, AB, AC, AD e AE), que dizem respeito à condução de motocicletas. Dentre essas quase 490 mil CNHs categoria A na região, 82,5% foram emitidas para o público masculino, sendo que 69,79% delas estão nas faixas etárias entre 18 e 40 anos.

Os dias com mais registros de vítimas fatais são domingo – seis – e quarta-feira - cinco. Na quinta-feira, houve apenas um registro. Nos períodos da manhã e da madrugada ocorreram sete mortes em cada; à tarde, cinco; e à noite, três.

Em janeiro de 2025, foram contabilizadas 23 mortes e 421 acidentes, redução de 4,3% e 3%, respectivamente. No acumulado do ano passado, a região somou 278 mortes, um crescimento de 24% em relação a 2024, com 224 registros. 

O Detran-SP informou que tem intensificado as ações educativas. Somente em 2025, foram realizadas 3.000 no Estado, com foco especial na mudança de comportamentos de risco e nos públicos mais vulneráveis no trânsito, como pedestres e motociclistas. 

O grupo foi alvo da última campanha educativa lançada pelo órgão em outubro de 2025, com o tema Não corra, a velocidade não perdoa, de estímulo à observação das leis de trânsito e ao limite de velocidade pelos condutores de motocicletas.




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;