Política Titulo Alta demanda

Mais de 80 mil famílias aguardam moradia em quatro municípios da região

Prefeituras mantêm obras habitacionais em andamento e garantem projetos para novas unidades

19/02/2026 | 08:10
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Segundo a Prefeitura de Santo André, há 5.106 unidades em construção; 942 serão entregues este ano (FOTO: Divulgação/PSA)
Segundo a Prefeitura de Santo André, há 5.106 unidades em construção; 942 serão entregues este ano (FOTO: Divulgação/PSA) Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Pelo menos 80 mil famílias aguardam por moradia popular em quatro cidades do Grande ABC que responderam ao levantamento do Diário sobre a fila por habitação. Há casos em que a espera ultrapassa uma década. 

Em Santo André há cerca de 55 mil cadastros no Simobi – sistema oficial da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação para a gestão de políticas habitacionais. A Prefeitura destaca que nem todos os registros estão completos ou dentro dos critérios de renda exigidos, mas o número representa a dimensão da procura por unidades habitacionais na cidade. 

Ainda segundo a administração andreense, “a plataforma se tornou uma ferramenta de controle de demanda e organização da ‘fila’ por uma unidade habitacional. No entanto, temos que distinguir aquilo que é demanda que o município deve fazer a realocação de famílias por conta de urbanizações e áreas de risco e o que chamamos de demanda aberta do município, de pessoas que se enquadram no perfil socioeconômico e não possuem ainda moradia própria”. 

DGABC

“O Plano Municipal de Habitação aponta que aproximadamente 10 mil famílias necessitam de reassentamento, especialmente em função de áreas de risco e projetos de urbanização”, complementou o governo andreense. 

Já Diadema contabiliza aproximadamente 23 mil famílias na fila por moradia. O cadastro mais antigo registrado no município tem 17 anos. Em São Bernardo, o número atual é de 1.900 famílias, vinculadas ao programa de auxílio aluguel. A lista é composta principalmente por moradores removidos de áreas de risco, insalubridade ou por intervenções urbanas. O município informou que está estruturando uma lista aberta para dimensionar a demanda total por faixa de renda.

No caso de Mauá, são 472 famílias atendidas pelo programa Bolsa Aluguel. A cidade relata que há moradores aguardando moradia definitiva há até 15 anos, dependendo da disponibilidade de novos empreendimentos. Ribeirão Pires não informou o número de famílias na fila habitacional.

PRODUÇÃO

Apesar da alta demanda, as cidades mantêm empreendimentos habitacionais em diferentes estágios. Em Santo André, há 5.106 unidades em construção, destinadas a famílias com renda de até três salários mínimos e também à faixa entre três e seis salários. Segundo a Prefeitura, 942 moradias devem ser concluídas ainda este ano.

São Bernardo informou que estão em construção 1.880 unidades habitacionais, com recursos da Prefeitura e governos do Estado e federal. A previsão de finalização dessas unidades é 2026. No ano passado, o governo entregou 296 moradias, reduzindo o número de famílias no auxílio aluguel. 

“Além das unidades em execução, a Prefeitura, por meio da Secretaria de Habitação municipal, trabalha para a produção de moradias, vinculadas aos novos projetos contratados pelo governo federal no âmbito do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) Periferia Viva, especialmente nos territórios do Jardim Cláudia e do Jardim Represa”, complementou a administração são-bernardense. 

A Prefeitura de Diadema informou que não possui obras em andamento atualmente, mas anunciou o início de 1.200 novas unidades ainda este ano, após a entrega de 452 moradias que estavam em execução.

Mauá afirmou que não há empreendimentos em andamento neste momento, mas prevê iniciar ainda neste semestre a construção de 280 unidades no Jardim Oratório e outras 120 no Jardim Kennedy, por meio do programa federal Minha Casa Minha Vida.

“Em razão da suspensão temporária de programas habitacionais federais, há casos de munícipes que aguardam a contemplação de uma unidade habitacional há aproximadamente 15 anos. O tempo de espera pode variar conforme a disponibilidade de novos empreendimentos e critérios de priorização, dentre os quais, os beneficiários do Bolsa Aluguel. Esse programa contempla famílias ou indivíduos advindos de áreas que sofreram intervenção municipal - execução de obras de infraestrutura ou saneamento, cuja renda não ultrapasse três salários mínimos, respeitando-se os critérios de prioridade de famílias”, destacou a Prefeitura de Mauá. 

Ribeirão Pires não respondeu sobre o número de famílias aguardando moradia, mas afirmou que formalizou junto ao governo estadual a indicação de áreas para 500 unidades populares, sendo 100 via CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) no Jardim Serrano e 400 na modalidade ‘preço social’ – modelo de parceria em que a Prefeitura oferece incentivos construtivos a empresas privadas em troca da entrega de unidades habitacionais com valores muito abaixo do mercado. A administração municipal informou também que há previsão inicial de 114 unidades pelo programa federal Minha Casa, Minha Vida. 

AUXÍLIO MORADIA

Ao todo, 2.946 famílias dependem hoje de subsídio para moradia nas cidades que informaram os dados. O maior contingente está em São Bernardo, com 1.900 beneficiários, seguido por Santo André, com 569, e Mauá, com 472. Em Ribeirão Pires, cinco famílias recebem o auxílio. Diadema não especificou o número de famílias que dependem de auxílio. 




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