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Bispo diz que moradia é a porta de entrada para todos os outros direitos

Cipollini defende que a terra sempre esteve em poder dos ricos e os pobres vivem à mercê da especulação imobiliária

18/02/2026 | 21:04
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FOTO: Nário Barbosa/DGABC
FOTO: Nário Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O bispo da Diocese de Santo André, Dom Pedro Carlos Cipollini, disse que a moradia é a porta de entrada para todos os direitos e, sem ela, não há dignidade. “A terra sempre esteve em poder dos ricos e os pobres vivem na insegurança, à mercê da especulação imobiliária e dos que ganham com aluguéis”, afirmou o líder religioso. 

A declaração foi dada na noite desta Quarta-feira de Cinzas (18) durante a missa na Catedral Nossa Senhora do Carmo, no Centro do município andreense, que marcou o início da Quaresma e o lançamento da Campanha da Fraternidade 2026.

Neste ano, o tema é Fraternidade e Moradia – Ele veio morar entre nós, que propõe uma reflexão sobre habitação digna. Segundo a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), a campanha quer iluminar, à luz do Evangelho, a realidade de milhões de brasileiros que ainda não têm acesso a uma casa digna. 

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Cipollini ressaltou que o sistema econômico é excludente e não permite que  todos tenham uma moradia.  “A cidade é um negócio para ganhar dinheiro, não para você viver bem. Se tem tanta terra no Brasil, por que tanta gente está morando na rua, sem teto e sem chão?”, questionou o bispo. 

Nas sete cidades, 2.801 pessoas vivem em situação de rua, de acordo com dados do CadÚnico de janeiro deste ano. Outras 5.875 vivem em moradias inadequadas, construídas com materiais de alto risco de desabamento, como 

madeira aproveitada de tapume, embalagens e andaimes, segundo dados do Censo 2022. Conforme levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 470 mil moradores residem nas 350 favelas da região.

“Nossa diocese escolheu como prioridade a família. Mas o que faz uma família sem moradia? A moradia é o lar da família. Por isso, os municípios devem dar mais atenção a essa questão que é um direito constitucional e não uma esmola. O poder público deve fortalecer as políticas públicas de moradia e não torná-la apenas fonte de lucro”, finalizou.

O professor de São Bernardo, Marcos Barbosa, 58 anos, que compareceu excepcionalmente à catedral para a celebração especial de abertura do período da Quaresma, ressaltou a importância de a Igreja Católica utilizar sua voz para promover o debate sobre temas sociais relevantes.

“O tema tem que ser abordado o ano todo para não cair no esquecimento. Estes 40 dias são um momento de agradecimento de nossas bênçãos e, mais do que nunca, de ajudar aos que mais necessitam, não só agora, mas sempre”, avaliou.

A abertura nacional da Campanha da Fraternidade ocorreu de manhã na sede da CNBB, em Brasília, em evento com representantes de pastorais sociais, movimentos populares, organismos e parceiros da Igreja Católica.

QUARESMA

A Quaresma, período de 40 dias que antecede a Páscoa, teve início ontem. O bispo destacou que este é um tempo dedicado ao jejum, à oração e à prática da caridade.

A funcionária pública de Santo André Simone Rodrigues, 51, afirmou que o período é o mais importante para os católicos. “Mais até que o Natal, porque é a preparação para ressurreição de Cristo. É um momento de reflexão em que nos penitenciamos para chegar mais perto Dele”, avaliou.




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