Exclusiva ao Diário Artista recifense se apresenta pela 1ª vez em Santo André nesta sexta-feira, com turnê de 20 anos de carreira
FOTO: Divulgação

Da salsa ao tecnobrega, do pop ao frevo, a autenticidade do cantor e compositor recifense Johnny Hooker encontra terreno fértil na música para explorar as pluralidades criativas que a América Latina oferece. Em entrevista exclusiva ao Diário, ele falou sobre memória, liberdade, disruptividade e a beleza de poder definir-se no mundo. Com o desejo de ser um “farol de afeto e possibilidades”, o artista se apresenta nesta sexta-feira (20) pela primeira vez em Santo André e vai dominar o teatro do Sesc (Rua Tamarutaca, 302, Vila Guiomar), a partir das 20h, com a turnê de 20 anos de carreira.
De acordo com ele, cantar sucessos como "Amor Marginal", "Flutua", "Alma Sebosa" e "Cuba" é uma forma de aprender com o passado estratégias para firmar novos caminhos na arte.
“Quando olho para o Johnny de 15 anos, penso em um menino revoltado, que vivia à flor da pele. Não sou mais aquele jovem que tentava provar que conseguiria chegar em algum lugar. Vivi sonhos e descobri vários outros. Isso reforça a ideia de que cada momento tem que ser celebrado com sua devida singularidade.”
Marcado pela dramaticidade, imponência e performance, ele também se dedicou à escrita durante a turnê. Segundo Hooker, um conjunto de composições feita em três anos desaguou na nova produção intitulada "Viver e Morrer de Amor na América Latina", lançada em dezembro de 2025. “As músicas me disseram que tinha um álbum a ser feito. Foi a primeira vez que não parei e pensei ‘agora vou escrever um disco’. Ele aconteceu naturalmente.”
IDENTIDADE
A escolha do nome do álbum visa reconhecer que a América Latina extrapola as dimensões geográficas e se impõe cada vez mais na construção de identidades culturais dos países que a compõem. Para ele, entender isso é uma maneira do brasileiro fortalecer sua autoestima e senso de coletividade.
“É um momento global de muito holofote para essa região, seja pela música ou pelos conflitos que a rodeiam. Agora, mais do que nunca, sinto a necessidade de falar e questionar o que é ser latino-americano. Nasci e cresci em Recife e sou influenciado pelo axé, brega, frevo, maracatu e ciranda. Com as comemorações de 20 anos, o processo de revisitar memórias e entender as dores e delícias de viver nessa localidade aconteceu automaticamente”, declara.
RESGATE
A obra conta com participações dos cantores Ney Matogrosso, na faixa que dá nome ao disco, Daniela Mercury, em "Eu Quero Ver Pegar Fogo", e Lia de Itamaracá, em "A Vida É Um Carnaval".
Um dos destaques é a regravação de "A Vida é Assim", do pernambucano Conde Só Brega. Hooker afirma que o vocalista da banda O Conde e a Banda Só Brega sempre esteve presente nas caixas de som da casa onde morou na infância. “Recife é uma mini indústria do brega. A gente cresce com esses clássicos românticos induzidos pela música caribenha. Tudo é conectado. A minha homenagem é por isso.”
O artista declara que escolheu essa música por também sentir um subtexto queer, ou seja, uma presença implícita de temas ligados à comunidade LGBTQIA+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transgêneros, Queer, Intersexo, Assexuais, entre outras orientações sexuais, identidades e expressões de gênero).
“Ele canta ‘faço de mim o que quero, faço o que quero em mim’. É de uma genialidade. É dizer ‘eu vou viver e ser livre’. Isso sempre ressoou muito com a minha vivência. Recebo mensagens de fãs que afirmam que minhas letras os ajudaram a se expressar no mundo. Quero ser um farol de afeto e possibilidades para que entendam que dá para ser feliz e inteiro. É possível ser rebelde e questionar as coisas.”
Depois de passar o Carnaval na terra natal, Johnny Hooker chega ao Grande ABC com apresentação única e ingressos esgotados. “O público sempre pediu. É uma honra subir no palco do Sesc, que é um sistema muito fortalecido em São Paulo. É uma política cultural que eu acredito imensamente porque promove educação e mostra diversidade artística do Brasil.”
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.