De Mauá Após republicar conteúdo com ameaças a Lula, ex-vereador recebe críticas de petistas
FOTO: Reprodução Redes Sociais

A Corregedoria da Polícia Militar confirmou nesta quarta-feira (18) a instauração de apuração preliminar contra o ex-vereador de Mauá Sargento Simões (sem partido). A medida foi tomada após a republicação, na terça-feira (17), de vídeo em seu perfil no Instagram no qual aparece com distintivo policial, carregando uma arma de fogo enquanto convida o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a visitá-lo em sua residência. Sargento Simões, que é policial militar da reserva, preferiu não se manifestar sobre o caso.
Simões reutilizou um material enviado às redes sociais em abril de 2022, quando Lula, na ocasião pré-candidato à presidência, sugeriu que militantes e movimentos sociais deveriam “mapear” o endereço de cada deputado e comparecer em sua porta e cobrá-los. A exemplo de outros políticos bolsonaristas, o então vereador mauaense do PL, candidato a deputado federal naquele ano, gravou um vídeo com a arma de fogo e um distintivo em tom de crítica e ameaça ao petista.
O ex-parlamentar subiu o mesmo vídeo no Instagram, mas apagou minutos depois de ser questionado pelo Diário sobre o material. Entretanto, em posse das imagens, a Polícia Militar confirmou que analisará o caso. “A Corregedoria da PM instaurou apuração preliminar para verificar os fatos citados e, se necessário, adotar as medidas administrativas cabíveis”, informou a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, embora não esclareça quais os possíveis crimes e penas analisadas.
Segundo advogados consultados pela reportagem, Simões pode responder por ameaça por meio de artigo 147 e incitação ao crime ou à violência via artigo 286, ambos do Código Penal. Além disso, a conduta se enquadraria como crime contra o Estado Democrático de Direito, conforme a Lei 14.197 de 2021, que tipifica ameaças contra autoridades, considerando que o alvo da intimidação é o presidente da República. Os especialistas também apontam que, além das esferas criminais, o ex-vereador está sujeito a punições disciplinares dentro da corporação militar.
Procurado, Simões disse que aguardará os desdobramentos: “Não posso falar, porque não fui intimado pela PM”, frisou.
PT DE MAUÁ
O vídeo gerou repercussão entre as lideranças do PT em Mauá, que repudiaram o episódio e classificaram a conduta como grave. Deputado estadual e presidente do PT na cidade, Rômulo Fernandes citou que o diretório nacional já havia acionado a Justiça contra o conteúdo. O parlamentar ironizou o incidente ao lembrar que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está preso no Complexo da Papuda, em Brasília, condenado a 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado. “Mais uma vez, ele dá um sinal de irracionalidade e que em nada ajuda o País. Pode ser que esse desvario dele seja porque o presidente que ele apoiou hoje está preso e inelegível”, afirmou.
Já o presidente da Câmara, Juninho Getúlio (PT) subiu o tom contra o que chamou de tentativa de “aparecer por meio do medo”. Segundo o petista, o uso da arma no vídeo tenta mascarar a incapacidade de Simões em apresentar críticas técnicas à gestão do governo federal. “É a reação de todo bolsonarista, que acha que tudo se resolve com revólver, bala e morte”, disparou o chefe do Legislativo.
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