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Misturar produtos de limpeza pode causar morte

Alerta é feito por associação que reúne fabricantes do setor

18/02/2026 | 15:07
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Fernando Frazão/Agência Brasil
Fernando Frazão/Agência Brasil Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O uso de produtos de limpeza adquiridos fora dos canais formais e a prática de misturas caseiras dentro de ambientes corporativos estão associados a um aumento significativo de relatos de intoxicação nas empresas brasileiras. É o que revela o levantamento ‘Mapeamento da Informalidade Produtos de Limpeza – Uma questão de saúde pública’, realizado por Abipla (Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes de Uso Doméstico e de Uso Profissional) e Abralimp (Associação Brasileira do Mercado de Limpeza Profissional), com 700 entrevistas em todo o País.

A manutenção da qualidade da água de piscinas em espaços coletivos é assunto sério. Afinal, quando não recebe tratamento adequado, a água pode se tornar – além de um meio de transmissão de enfermidades –, campo aberto a reações químicas sem controle que podem se provar fatais. Por isso, a manutenção da qualidade sanitária e a segurança dos banhistas depende da atuação contínua de um profissional da química em articulação com os gestores desses espaços de recreação.

Além da trágica ocorrência em que Juliana Bassetto, 27 anos, que perdeu a vida após entrar em uma piscina de academia em São Paulo, deixando ainda outras pessoas feridas, a exposição acidental a produtos químicos – em especial os de limpeza – em ambientes profissionais e domésticos causa cada vez mais problemas à população.

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O Sistema CFQ/CRQs, que envolve o Conselho Federal de Química e os conselhos regionais de Química, e a Abipla, mantêm uma série de ações em parceria, exatamente para conscientizar a sociedade e mitigar os impactos da exposição.

O químico e conselheiro do CFQ (Conselho Federal de Química) Wagner Aparecido Contrera Lopes explica que, seja qual for o ambiente, para realizar a manutenção da piscina é recomendado sempre contratar uma empresa legalmente habilitada. Isso significa que ela estará devidamente registrada junto ao CRQ daquela região. Outro ponto reforçado pelo conselheiro é exigir que a instituição responsável pela piscina possua a ART (Anotação de Responsabilidade Técnica).

Há ainda a possibilidade de se recorrer a um profissional da química autônomo, podendo ser contratado diretamente pelo gestor do espaço comunitário. "O que não pode acontecer é o condomínio colocar o tratamento da água nas mãos de leigos, o que pode acarretar uma série de problemas", explica Contrera.

A supervisão de um profissional habilitado visa garantir que os produtos químicos usados nas piscinas sejam corretamente selecionados, usados e armazenados de forma adequada. "Assim, evita-se, por exemplo, a superdosagem de cloro, que é um dos principais agentes usados como desinfetante" explica Contrera. "A superdosagem pode causar intoxicações e problemas respiratórios nos usuários, enquanto misturas incompatíveis entre produtos químicos podem gerar gases tóxicos."

No caso das piscinas coletivas, o papel do profissional da química é atuar no controle dos parâmetros críticos do tratamento da água, como cloro residual, alcalinidade e o grau de PH. Cabe a ele, também, usar produtos legalizados e de boa procedência, de modo a não comprometer a saúde dos banhistas.

A Abipla recomenda às pessoas que fazem uso de piscinas comunitárias, que observem alguns alguns pontos simples para preservar sua segurança e saúde:

1. Peça para o gestor do local deixar afixado, em local visível, a anotação
de responsabilidade técnica.

2. Confira se na ART consta o nome do responsável técnico. Você pode
entrar em contato com o CRQ da sua região e conferir se a empresa ou
profissional estão habilitados a realizar aquele serviço.

3. Caso a piscina esteja esverdeada, turva, com presença de espuma ou
sinta um cheiro forte de cloro, não entre na água e cobre do gestor do
espaço para que tome providências adequadas.


Pesquisa aponta alta nos casos de intoxicação

Levantamento realizado pela Abipla (Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes de Uso Doméstico e de Uso Profissional), em parceria com a Abtralimp (Associação Brasileira do Mercado de Limpeza Profissional), mostra que relatos de intoxicação em limpeza de empresas passaram de 35%, em 2024, para 60%, em 2025.

Aumento se deu entre companhias que compram também em canais informais. O uso de produtos de limpeza adquiridos fora dos canais formais e a prática de misturas caseiras dentro de ambientes corporativos estão associados a um aumento significativo de relatos de intoxicação nas empresas brasileiras. É o que revela o levantamento ‘Mapeamento da Informalidade Produtos de Limpeza, com 700 entrevistas em todo o País.

Segundo o estudo, entre as empresas classificadas como ‘informal não exclusivo’ — ou seja, que compram tanto em canais formais quanto informais — os relatos de sintomas de intoxicação associados ao uso ou à mistura de produtos de limpeza saltaram de 35%, em 2024, para 60%, em 2025. Apenas para efeito de comparação, no mesmo período, entre as empresas que compram exclusivamente em canais formais, o percentual foi bem menor, passando de 24% para 29%, respectivamente.

“O dado revela uma preocupante associação entre informalidade, prática de misturas e ocorrência de sintomas de intoxicação. E isso, claramente, é um problema grave de saúde pública. Esse percentual alarmante pode ser ainda maior, considerando a subnotificação de casos no País”, afirma Juliana Marra, presidente da Abipla, que complementa: “os produtos de limpeza formais, sejam de uso doméstico ou de uso profissional, são extensivamente testados e seguros para uso, mas devem ser utilizados apenas na forma como o seu rótulo determina, respeitando a diluição, se for o caso, a necessidade de se manter o ambiente ventilado e os equipamentos de proteção individual. Qualquer mistura de produto de limpeza fora do que consta no rótulo é potencialmente perigosa”, alerta.

Os sintomas mais relatados na pesquisa incluem tonturas, dores de cabeça intensas, inflamação nas vias respiratórias e nos olhos, náuseas e vômitos. Isso porque, quando produtos de limpeza são combinados de forma inadvertida e por pessoas sem conhecimento técnico para manipulá-los, podem causar reações químicas que liberam gases irritantes ou tóxicos, alterando a eficácia da desinfecção ou aumentando significativamente a agressividade da solução final, que pode provocar morte.

Outro ponto crítico apontado pelo estudo é que a informalidade cresce justamente em categorias de produtos de uso específico e de maior potencial químico, como desinfetantes hospitalares, desinfetantes para superfícies especializadas e produtos de maior concentração. O levantamento indica que parte das empresas desconhece as sanções aplicáveis ao uso de produtos não regularizados. “A economia obtida com produtos de origem duvidosa ou com misturas improvisadas pode sair muito mais cara quando se considera o impacto à saúde dos trabalhadores e a eventual responsabilização da empresa”, reforça Juliana Marra.

Mistura Explosiva
Nos últimos anos, a Abipla e o CFQ (Conselho Federal de Química) têm realizado campanhas públicas contra os riscos das misturas de produtos de limpeza, com destaque para o ‘Mistura Explosiva’, iniciativa que conscientizou milhares de estudantes, professores e profissionais de higiene e limpeza de uma forma lúdica, difundido conhecimento a partir de um jogo de tabuleiro.

A proposta é ampliar a conscientização sobre os riscos das misturas e reforçar que o uso de produtos não regularizados compromete não apenas a segurança ocupacional, mas também a saúde pública. “No caso de empresas, a mistura indevida deve ser fiscalizada e punida criminalmente, e é por isso que a Abipla pretende trabalhar neste ano de 2026, quando a entidade completa 50 anos, momento que deve ser um marco importante para a correta utilização dos produtos de limpeza. No caso do uso doméstico, trabalharemos para reforçar as ações educacionais, que devem ser robustecidas em todo o País e para públicos diversos”, defende a presidente da Abipla.

A Abipla e o CFQ defendem o fortalecimento da fiscalização, o aprimoramento dos mecanismos de responsabilização sanitária em ambientes corporativos e, no caso das piscinas de uso coletivo, uma legislação mais consistente e que garanta à sociedade segurança no uso dos espaços, através da supervisão de um profissional da química.
 




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