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Moradia e dever coletivo

18/02/2026 | 08:31
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FOTO: DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil lança nesta Quarta-Feira de Cinzas a Campanha da Fraternidade de 2026, dedicada ao tema Fraternidade e Moradia. Ao propor o debate, muito bem-vindo, a Igreja Católica convida à reflexão sobre a realidade habitacional que marca o País e preocupa o Grande ABC. O alerta da CNBB ultrapassa o campo religioso e alcança gestores públicos, empresários e entidades sociais. Morar com dignidade não se resume a possuir um teto; envolve acesso a infraestrutura, segurança e serviços. Quando a habitação falta ou se apresenta em condições inadequadas, evidencia-se uma falha coletiva na garantia de direitos assegurados pela Constituição.

Dados do Censo 2022, o mais recente, mostram que, em 12 anos, o número de favelas na região saltou de 254 para 350, crescimento de 37%. Municípios como Mauá, Diadema, São Bernardo e Rio Grande da Serra registraram avanço significativo. Hoje, quase meio milhão de pessoas vivem em submoradias nas sete cidades. Parte dessas edificações se ergue em encostas sujeitas a deslizamentos, margens de córregos vulneráveis a enchentes ou terrenos de preservação, como mananciais e remanescentes de mata. Tal quadro combina déficit habitacional, ocupação irregular e pressão ambiental, formando cenário que expõe famílias a riscos permanentes e impõe custos sociais elevados.

O panorama exige ação. A Campanha da Fraternidade deve servir como ponto de partida para agenda regional que articule União, Estado e prefeituras na produção de habitação popular, regularização fundiária e urbanização de assentamentos. Ao mesmo tempo, a sociedade civil organizada pode contribuir com propostas e fiscalização. Planejamento territorial, políticas de prevenção a desastres e proteção de mananciais e florestas precisam caminhar de forma integrada. Morar bem, conceito que deve ser visto como direito básico, requer decisão política e mobilização permanente. Que o Grande ABC aproveite a sugestão da Igreja para fazer uma ampla e necessária reflexão sobre o tema.

DGABC



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