Acidentes Índice do InfoSiga coloca a cidade na 4ª posição em taxa proporcional por 100 mil habitantes, com 74 óbitos; Piracicaba lidera a lista
Claudinei Plaza/DGABC

São Bernardo aparece na 4ª colocação entre os municípios com as maiores taxas de mortalidade no trânsito no Estado, segundo dados do sistema InfoSiga, plataforma de monitoramento do governo estadual gerenciada pelo Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo).
Considerando os últimos 12 meses, a cidade registrou taxa de 15,6 mortes por 100 mil habitantes, resultado de 127 óbitos em uma população estimada em 811.392 moradores.
No topo da lista aparece Piracicaba, com taxa de 17,1 e 74 mortes em quantidade populacional de 431.014 habitantes. Em seguida vêm Jundiaí, com índice de 17 e 77 registros; São Vicente, com 16,8 e 55 casos; e, logo depois, São Bernardo.
Na sequência estão Sorocaba, com taxa de 15,4 e 115 mortes; Praia Grande, com 14,9 e 54 ocorrências; Taubaté, com 14,3 e 45 óbitos; Campinas, com 12,7 e 145 registros; São José do Rio Preto, com 12,6 e 62 casos; e Guarulhos, que soma 161 mortes e taxa de 12,4.
Embora não esteja entre os primeiros no ranking proporcional, a Capital registrou 1.034 mortes no período, e aparece na 19ª posição, com taxa de 9.
No Grande ABC, outras cidades também figuram na lista. Santo André ocupa a 21ª colocação, com taxa de 8,7 e 66 mortes. Diadema surge na 22ª posição, com índice de 8,7 e 34 registros. Mauá está em 25º lugar, com taxa de 7,2 e 30 óbitos.
A região fechou 2025 com 277 mortes no trânsito, o maior número desde o início da série histórica do InfoSiga, em 2015, quando foram registrados 259 casos, aumento de 7% em dez anos. Em relação a 2024, quando houve 224 óbitos nas sete cidades, o crescimento foi de 23,6%.
O QUE SIGNIFICA?
Para o consultor de trânsito e professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Creso Peixoto, a análise precisa priorizar os índices proporcionais. Segundo o especialista, municípios como São Bernardo concentram alta densidade demográfica e elevada taxa de motorização, fatores que ampliam a exposição ao risco.
Além disso, o município é cortado por importantes estradas, o que influencia na gravidade dos sinistros. “Onde há rodovia, como no caso de São Bernardo com a Anchieta e a Imigrantes, por exemplo, há velocidade média maior. Quanto maior a velocidade, quando ocorre o acidente, maior tende a ser a severidade”, explica.
O professor universitário destaca ainda que a geometria das vias, especialmente em trechos de descida e curvas fechadas, pode potencializar riscos, sobretudo, quando associada ao excesso de velocidade. A ligação entre o Grande ABC e a Baixada Santista, marcada por trechos de serra e episódios frequentes de neblina, também eleva o perigo, explica o especialista em entrevista ao Diário.
Peixoto também chama atenção para o protagonismo das motocicletas nas estatísticas de alta gravidade. Ele ressalta, porém, que o problema não é o veículo em si, mas o comportamento de risco de seus condutores, como avanço de sinal vermelho, desrespeito à placa de parada obrigatória e circulação entre carros em congestionamentos.
Para reduzir os índices, o professor da Unicamp aponta que a resposta mais imediata é operacional, com fiscalização ostensiva e controle rigoroso de velocidade, inclusive com a utilização de radares. A médio prazo, defende ações estruturais, como melhoria na sinalização, adequação geométrica das vias, manutenção do pavimento e investimentos em acostamentos com boa aderência.
FERIADO
Durante períodos de maior fluxo, como o Carnaval, quando concessionárias estimam circulação de 1,4 milhão de veículos nas rodovias que ligam o Grande ABC ao Litoral e Interior, o risco se intensifica. Para Peixoto, a combinação de fiscalização, engenharia adequada e mudança cultural no comportamento dos condutores é o caminho mais eficaz para evitar acidentes.
“O motorista muitas vezes tenta ganhar tempo, acelerar em trecho livre e acaba encontrando congestionamento à frente. Essa variação brusca favorece acidentes severos. Às vezes a pressa faz com que a pessoa nunca chegue ao destino”, conclui.
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