Combate à enfermidade Na faixa etária de 0 a 19 anos, Grande ABC soma 480 casos apenas em 2025; neste domingo, celebra-se o Dia Internacional de Luta contra a doença
Divulgação/Inca

O Grande ABC registrou aumento de 25% nos diagnósticos de câncer infantojuvenil, na faixa etária de 0 a 19 anos, em 2025. Os dados do Painel de Oncologia do DataSUS, do Ministério da Saúde, indicam total de 480 registros da doença em crianças e adolescentes no ano passado, ante 382 casos em 2024.
Comemora-se neste domingo (15) o Dia Internacional da Luta contra o Câncer Infantil. A data foi criada pela Childhood Cancer International, em 2002, com o objetivo de conscientizar a sociedade e expressar apoio às famílias que enfrentam a doença.
Na região, os diagnósticos de neoplasias malignas em crianças e adolescentes representam 3% de todos os casos de câncer contabilizados nas sete cidades. Ao todo foram 15.523 registros da doença no ano passado.
O médico onco-hematologista pediátrico Henrique Samuel Carvalho diz que o câncer é um conjunto de diversas patologias que têm em comum o crescimento desordenado das células. Dessa forma, essas partículas anormais se multiplicam e invadem tecidos e órgãos.
Ainda de acordo com o especialista, o câncer em uma criança pode afetar o corpo de forma acelerada, visto que o organismo já está em fase de crescimento.
“Diferente dos adultos, onde o tabagismo, a má alimentação e a exposição solar são gatilhos claros, o infantojuvenil não está relacionado ao estilo de vida e, na maioria absoluta das ocorrências, as causas são desconhecidas. Sabemos que decorrem de alterações no DNA e, portanto, é uma doença biológica”, afirmou Carvalho.
Sobre o aumento no número de casos, o médico disse que pode estar relacionado a maior eficácia na notificação das ocorrências ao Ministério da Saúde, indicando que a subnotificação de pacientes era realidade até bem pouco tempo atrás.
Há também relação com uma busca mais ativa e cuidado maior dos pacientes do Grande ABC. O tratamento inclui algumas etapas principais, como exames de imagem para entender a extensão da doença; quimioterapia; radioterapia; manutenção e acompanhamento.
LUTA
Em novembro de 2024, a dona de lar Dulcineia Santos, 30 anos, recebeu a notícia de que seu filho Kauan da Silva, 11, foi diagnosticado com leucemia linfóide aguda.
Natural do Amapá, no Norte do País, a família buscou tratamento no Estado de São Paulo e foi acolhida pela unidade andreense da Casa Ronald McDonald, que fechou no segundo semestre de 2025.
“Em outubro de 2024, o Kauan começou a ter febre frequente. Levava na UPA (Unidade de Pronto Atendimento), mas não passava. Depois levei para um hospital especializado em criança e adolescente e ele ficou internado. Meu filho tinha muita dor nas costas, braços e peitos inchados. Conversei com a médica, que falou sobre suspeita de leucemia. Posteriormente, me aconselhou a sair do Amapá, porque aqui não tem tratamento”, comentou Dulcineia.
A família ficou um pouco mais de um ano em São Paulo. “No começo entrei em desespero. Foi muito difícil entender que meu filho tinha essa doença. Durante o tratamento, ele enfrentou muita dificuldade, porque era um paciente de alto risco. Mas mesmo com muitos problemas, o Kauan conseguiu vencer cada um deles. O hospital acolheu muito bem e a Casa Ronald McDonald também”, complementou.
O onco-hematologista pediátrico explicou que a leucemia é o câncer que lidera os casos infantojuvenis, seguido de tumores no cérebro, coluna e linfomas.
“A leucemia é o câncer dos tecidos que formam o sangue. Ocorre quando os glóbulos brancos perdem sua função de defesa, impedindo a reprodução de células saudáveis”, disse o especialista.
Kauan da Silva voltou com a família para o Amapá e viaja uma vez por mês para São Paulo para continuar com o tratamento, que está em fase de manutenção.
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