Movimento cultural Moradores do Grande ABC vivem a festa para além da folia e transformam comunidades
Professor Davidson Ribeiro, 50 anos, integra o Bloco Embaixadores da Maloca do Barbosa. Foto: Nario Barbosa/DGABC

Mais do que um movimento cultural, o Carnaval é um projeto de vida para moradores do Grande ABC. A festividade, além de ser fonte de renda, torna-se um caminho de transformação para as comunidades por meio dos programas sociais associados a manifestações carnavalescas.
O documentista de São Bernardo, Sérgio Galvão de Oliveira, 48, fundou há 10 anos o Bloco Chega Mais Independência com amigos do Bairro Jardim Independência. A ideia de criar um grupo surgiu da necessidade de continuar vivenciando o Carnaval quando os desfiles das Escolas de Samba da região deixaram de acontecer a partir de 2016.
“O objetivo do Chega Mais Independência é também ter uma visão social. Levamos cultura a asilos, orfanatos, creches, entre outros locais, pois a cultura é direito social, não apenas uma brincadeira. O bloco tem um papel social importante. Nosso rei faz parte da comunidade LGBTQIA+ e nossa princesa tem Síndrome de Down. Nosso papel é incluir todas as pessoas”, relata.
O recifense, que mora no Grande ABC desde 1992, destaca a importância da festa brasileira. “Enxergamos o Carnaval como a possibilidade de a pessoa festejar, expressar sua alegria e aliviar suas dores e sofrimentos. A festa movimenta ainda o comércio e gera renda”, define Oliveira.
O arte-educador de São Bernardo Celso Ohi, 69, vive o Carnaval da região há três décadas e fez dele sua profissão. O artista trabalhou por 20 anos na produção de carros alegóricos, esculpindo isopores que compunham o cenário da festa. Professor de artes plásticas, Ohi todos os anos curte a data no Bloco dos Amigos do Ditinho da Congada e tem um grupo chamado Teatro de Bonecos.
“Contamos histórias por meio de bonecos e um dos projetos é levar o Carnaval para dentro da casa de pessoas acamadas, que não podem sair. Previamente conversamos com a família e no dia invadimos a residência, onde fizemos um teatro com músicas carnavalescas. É muito emocionante e satisfatório ver a felicidade deles, esse é o nosso maior retorno”, destaca Ohi.
O professor andreense Davidson Ribeiro, 50, fez da festa carnavalesca parte de sua vida. Em 2011, ingressou na Escola de Samba Seci, de Santo André, onde atuou como vice-presidente. Na mesma época, integrou o Bloco Carnavalesco Embaixadores da Maloca do Barbosa, que realiza cortejos na cidade.
“Ajudei a construir e a pôr o bloco na rua. Mais tarde, me tornei presidente e, junto com a diretoria e integrantes, organizamos o bloco com centenas de pessoas. Saímos pela cidade de Santo André, com direito a trio elétrico, músicos de samba e de sopro, corte carnavalesca, capoeiristas, baianas e bateria”, afirma o professor.
“Ao longo de todos esses anos, promovemos eventos de samba com a proposta de trocar a entrada por um quilo de alimento não perecível, posteriormente destinado a pessoas em situação de vulnerabilidade. Além disso, integrantes do bloco e foliões sempre se uniram em momentos difíceis, como nas enchentes, mobilizando-se para ajudar moradores que perderam tudo”, Ribeiro.
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