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Emagrecer com cautela

12/02/2026 | 09:01
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FOTO: DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O Grande ABC registrou alta de 70,5% nos óbitos por pancreatite aguda em 2025, conforme dados do DataSUS revelados em reportagem do Diário. Foram 29 mortes ocorridas ao longo do ano passado, ante 17 verificadas em 2024, além de 687 casos registrados e média mensal de 57 internações nas sete cidades. Ainda que não haja comprovação de vínculo direto entre esses números e as chamadas canetas emagrecedoras, o debate tornou-se incontornável após alerta da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) sobre o uso indiscriminado do medicamento, fora das indicações recomendadas. Está na hora de a sociedade debater com seriedade os perigos da automedicação. 

Especialistas apontam múltiplas causas para a pancreatite, como cálculos biliares, consumo de álcool e drogas, além de fatores infecciosos. No caso dos medicamentos à base de GLP-1, princípio ativo das canetas emagrecedoras, a Anvisa reforçou que o uso deve ocorrer apenas com prescrição e acompanhamento profissional, diante da possibilidade de eventos adversos graves, inclusive formas necrotizantes e fatais. Entre 2020 e dezembro de 2025, o País registrou seis mortes sob investigação. Endocrinologistas esclarecem que pacientes com histórico da doença não devem utilizar os produtos e destaca que a automedicação, motivada por pressões estéticas, amplia riscos evitáveis.

Diante deste cenário, impõe-se a necessidade de ampla campanha de conscientização sobre sintomas, fatores de risco e perigos do uso indiscriminado de medicamentos para perda de peso. Informação qualificada pode estimular busca por orientação adequada e reduzir casos. A exigência de receita, determinada pela Anvisa, representa avanço regulatório, mas não substitui educação em saúde contínua. Quando o aumento da obesidade se mistura a soluções rápidas oferecidas nas redes sociais, cabe ao poder público, às entidades médicas e à imprensa promover debate responsável. Avanços devem ser celebrados, mas a cautela e a importância de acompanhamento especializado não devem ser negligenciados.

DGABC



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