Mobilização Operários formaram maioria para encerrar paralisação depois que Sindicato dos Metalúrgicos apresentou proposta da empresa para recolher FGTS
Nario Barbosa/DGABC

Os trabalhadores da Paranapanema, produtora de cobre localizada no bairro Utinga, em Santo André, voltaram às atividades nesta quarta-feira (11) após um dia de greve. Em nova assembleia realizada na frente da sede da companhia, a maioria concordou com a proposta da empresa de começar o recolhimento mês a mês do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) a partir de março e de apresentar, em 90 dias, proposta para cobrir os atrasos de três anos na arrecadação desses valores. Os diretores também afirmaram que não vão descontar as horas de paralisação do salário.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e de Mauá, Adilson Torres dos Santos, o Sapão, explica que, após o início da mobilização, a companhia decidiu adiantar a reunião que estava prevista para acontecer com a entidade sindical na quinta-feira (12). Apesar de não ser o cenário desejado, ele afirma que os operários conseguiram garantir o avanço das negociações.
“Só conseguimos chegar nessa proposta porque paramos as máquinas. Senão, eles continuaram ‘empurrando a situação com a barriga’. Nós nos encontramos com os diretores, que disseram que começarão o recolhimento do FGTS no mês que vem e vão nos apresentar a proposta de parcelamento para quitar o período atrasado.” A planta de Santo André possui 650 funcionários.
Mesmo com o retorno às atividades, o sindicato manteve a reunião com a superintendência do Ministério do Trabalho, prevista para sexta-feira (13). “Queremos, inclusive, colocar a proposta da Paranapanema na pauta dessa conversa. Eles documentaram. Então, se não cumprirem, vamos entrar com ação (judicial).”
De acordo com o presidente da entidade, outras demandas também estão no radar, como as discrepâncias nos planos de saúde. “Hoje, existe um convênio direcionado aos trabalhadores e outro com nível elevado para quem é gerente, supervisor e diretoria”, diz Sapão. “As doenças que nos atingem são as mesmas que atingem eles. Não entendemos essa diferença.”
Questionada pelo Diário sobre a greve, a Paranapanema disse que não vai se manifestar.
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