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Projeto leva autoestima e acolhimento a pacientes com câncer em São Bernardo

Evento Beleza que Transforma realizado no Hospital Padre Anchieta reúne voluntários e poder público em ação que alia cuidado estético e apoio emocional

10/02/2026 | 14:34
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FOTO: Nario Barbosa
FOTO: Nario Barbosa  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O Hospital de Câncer Padre Anchieta, no Centro de São Bernardo, recebeu nesta terça-feira (10) a segunda edição do evento Beleza que Transforma, iniciativa voltada ao cuidado com a autoestima de mulheres em tratamento oncológico. A ação reuniu voluntários, parceiros e representantes da administração municipal em um dia dedicado à valorização pessoal, com doação de lenços,  serviços de automaquiagem, perucas, massagem e manicure.

O projeto atendeu pacientes do ambulatório e da enfermaria. Segundo o diretor técnico do hospital, Dr. Luiz Noyama, cerca de 10 a 15 mulheres internadas participaram da atividade, além de pacientes que estavam em quimioterapia ou radioterapia e aderiram ao convite ao longo do dia.

“Não é só o tratamento clínico que é importante. A autoestima da mulher com cabelo, se olhando no espelho e se reconhecendo, é um ganho muito grande para o tratamento”, afirmou o diretor. Ele relembrou a edição anterior, quando uma paciente, inicialmente receosa em experimentar a peruca, se emocionou ao se ver no espelho. “O sorriso que ela deu foi gratificante. Isso ajuda muito no enfrentamento do câncer.”

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A técnica em enfermagem Shirlei Celestino Martins, 46 anos, está em tratamento com quimioterapia desde dezembro, após descobrir o diagnóstico em julho. Para a paciente de São Bernardo, a iniciativa reforça que o cuidado vai além dos procedimentos médicos.

“Quando a gente recebe o diagnóstico, se assusta muito. Fiquei mal uns 15 dias. Depois comecei os exames e o protocolo. Quando falam que você vai fazer quimioterapia, é mais assustador do que o tratamento em si. Aqui (hospital) o acolhimento é surreal, desde a portaria até os médicos. Isso deixa a gente mais tranquila”, relatou.

Shirlei destaca que, para muitas mulheres, o impacto emocional é profundo, especialmente diante da queda de cabelo e das mudanças no corpo. “Quando se recebe o diagnóstico, a mulher é muito afetada na questão da beleza. O cabelo é só um detalhe, ele pode crescer de novo. O evento ajuda outras mulheres a entenderem que tem tratamento, que tem cura.”

A fé e a rede de apoio são apontadas por ela como pilares nesse processo. “Primeiramente é Deus, depois minha família, meu namorado e meus amigos. Tem gente que fala: ‘Nossa, nem parece que você está fazendo quimioterapia’. Eu digo que é a rede de apoio que me ajuda bastante.”

A idealizadora do projeto, a publicitária Fernanda Gorinchteyn conta que a inspiração para criar o Beleza que Transforma nasceu da própria vivência com a saúde. Portadora de retocolite ulcerativa, doença inflamatória intestinal crônica e autoimune que provoca inflamações e ulcerações no intestino grosso, ela passou por períodos de internação e precisou ficar afastada do filho ainda pequeno.

“A maquiagem, a beleza, sempre foram algo muito especial para mim. E, nos momentos em que eu estive internada, eu me olhava no espelho e não me reconhecia”, relata. Embora não enfrente o câncer, Fernanda afirma que conhece o impacto na rotina e na família. “Eu sei o quanto a nossa vida para, o quanto isso afeta quem está ao nosso lado. O projeto nasceu desse desejo de levar amor, carinho e acolhimento.”

A  auxiliar de enfermagem e paciente Ruth Lopes de Souza, 29, também moradora da cidade, aplicou uma peruca de cabelo humano durante o evento. Ela descreveu a experiência como transformadora. “É uma sensação boa, porque estou me sentindo cuidada. O cabelo é importante para todas as mulheres.”

A ação contou com a participação do projeto Amor a Cada Fio, que atua na devolução de autoestima a mulheres que perderam o cabelo durante o tratamento. Segundo a responsável, Marialva Barbosa, é a primeira participação da iniciativa no hospital. “Fomos convidados para participar e resolvemos colaborar. Esperamos que venham muitos anos pela frente. Nosso trabalho é devolver a felicidade para mulheres que perderam seus fios.”

Acostumada a usar peruca sintética, Ruth comemorou a nova possibilidade. “ Vou poder cuidar melhor em casa, mexer, pintar se quiser. É mais natural e favorece a minha saúde emocional também.”Para muitas pacientes, mais do que maquiagem ou uma peruca, o que se reflete no espelho é a reafirmação de que continuam sendo vistas, acolhidas e valorizadas. 

O secretário de Saúde de São Bernardo, Jean Gorinchteyn, relata que o impacto da iniciativa ultrapassa a estética. “Não é só o câncer em si, mas o próprio tratamento abala a autoestima. Há queda de cabelo, alterações na pele. Quando você permite que essas mulheres usem uma peruca, sejam maquiadas, recebam um lenço e se vejam no espelho felizes, isso é resgatar dignidade.”

Ele também destacou o reflexo nas famílias. “Muitas vezes os familiares têm dificuldade de elevar o astral. Quando percebem essa mudança, também se fortalecem. Humanização, carinho e acolhimento fazem parte do tratamento.”

A secretária da Mulher, Sandra do Leite  ressaltou o papel do poder público no cuidado integral. “As mulheres são as que cuidam. Quando elas passam por um problema de saúde, nós, como sociedade e governo, temos o dever de cuidar delas. Esse evento vem com essa finalidade, de oferecer amor, atenção e mostrar o quanto isso ajuda no tratamento.”

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