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Rede pública da região registra média de 18 cirurgias de catarata por dia

Grande ABC contabiliza 6.702 operações no ano passado; quatro cidades tem 1.861 pacientes em espera

10/02/2026 | 07:00
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FOTO: Divulgação/PMSCS
FOTO: Divulgação/PMSCS Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O Grande ABC contabilizou uma média diária de 18 cirurgias de catarata na rede pública de saúde em 2025. No total, foram 6.702 procedimentos oculares realizados no ano passado. Rio Grande da Serra afirmou que não realiza esse tipo de operação no município. 

A cirurgia de catarata ganhou repercussão nacional recentemente após o presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), passar pelo procedimento no olho esquerdo no dia 30 de janeiro.

De acordo com o CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia), foram 1,03 milhões de cirurgias realizadas pelo SUS (Sistema Único de Saúde) de janeiro a novembro de 2025 no País. 

DGABC

Em 2024, a região registrou 6.890 procedimentos. Desses, 988 foram feitos no Ambulatório do Centro Universitário FMABC (Faculdade de Medicina do ABC) em parceria com São Bernardo. A Prefeitura explicou que antes os pacientes eram encaminhados para a instituição, devido a um convênio com a administração. Após a abertura da Clínica Municipal da Visão, no ano passado, a cidade passou a atender a demanda dos moradores no próprio município. Já Diadema não enviou o número de procedimentos efetuados em 2024.

De acordo com o Ministério da Saúde, a catarata é a opacificação progressiva do cristalino do olho, que resulta em visão nublada e embaçada, além do aumento da sensibilidade à luz e, se não tratada, pode causar cegueira. 

O presidente da SBO (Sociedade Brasileira de Oftalmologia), Oswaldo Ferreira, afirmou que o número de pessoas com essa condição tende a aumentar a cada ano. “É extremamente frequente. Em algum momento da vida, todos vão acabar desenvolvendo, basta viver o suficiente. A nossa lente natural (cristalino) vai ficando opaca e branca com a idade, deste modo danificando a visão. Em uma população que vai aumentando a expectativa de vida, a incidência de catarata cresce e passa a ter uma demanda grande por tratamento”, comentou Ferreira.

Conforme dados das prefeituras de São Caetano, Diadema, Mauá e Ribeirão Pires, há cerca de 1.861 moradores na fila de espera por uma cirurgia de catarata. Santo André e São Bernardo não enviaram os números.

A Prefeitura de São Caetano informou que os 414 residentes no aguardo já realizaram todo o pré-operatório e em até três meses devem ser operados.

Em todas as cidades, a porta de entrada para essa modalidade de operação são as UBSs (Unidades Básicas de Saúde), que realizam avaliações e encaminham para o atendimento especializado.

“Qualquer morador pode ser operado desde que seja encaminhado pela UBS para o Poupatempo da Saúde, onde passará pela primeira avaliação. Em seguida, o paciente será encaminhado para o oftalmologista especialista. Todo o processo ocorre em 45 dias e o paciente é orientado a realizar três retornos obrigatórios”, comunicou em nota o Paço de Santo André.

O presidente da SBO, Oswaldo Ferreira, disse que a cirurgia é feita, na maioria das vezes, de forma eletiva, não é de urgência. “A partir do momento que é feito o diagnóstico, também há o período do pré-operatório para medir o risco com tranquilidade. Na fila, o pior que pode acontecer é uma espera mais longa sem enxergar da melhor forma possível”, afirmou o médico.

Ainda de acordo com ele, ter esse serviço de forma gratuita pelo SUS é de suma importância, visto que a condição é comum e grande parte da população não possui planos de saúde. 

UMA NOVA VISÃO

Apesar de não ter sido realizada pela rede pública, a moradora de São Bernardo e dona do lar, Maria Irene Pereira, 77 anos, passou pela operação em 2024. “Desde os 18 anos utilizava óculos até chegar aos nove graus de miopia. Comecei a enxergar nublado, turvo e não conseguia ver as letras do ônibus, muitas vezes perdia a condução. Fui ao oftalmologista e ele constatou a catarata”, disse.

Ainda de acordo com ela, o período de repouso foi de 15 dias. “Durante o pós-cirúrgico, não podia abaixar a cabeça, nem cozinhar, por conta do bafo da panela. Mas me recuperei rápido. Agora, estou vendo de longe e para mim foi ótimo. Não preciso mais usar lentes também”, comentou Maria.

No começo, a moradora são-bernardense ficou receosa, mas foi tranquilizada pelo falecido marido, Diartaguinan Cana Brava, 86, que já tinha passado pelo procedimento ocular. “Ele ficou muito bem durante anos. Ele fez pela FMABC”, completou.

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