Editorial O aumento de 40% nas manifestações registradas pelas ouvidorias do Grande ABC ao longo de 2025 revela dois aspectos distintos da relação entre poder público e sociedade. O primeiro, positivo, indica maior conscientização dos moradores sobre direitos e instrumentos disponíveis para cobrar respostas. O crescimento do uso desse canal demonstra que parte da população passou a enxergá-lo como meio legítimo de participação, fiscalização e diálogo. Em municípios onde o acesso está mais consolidado, como Santo André e São Caetano, os contatos reforçam a percepção de que transparência e abertura estimulam engajamento cívico e ampliam a troca de informações entre administração e munícipes.
Já o segundo aspecto, menos favorável, expõe limites persistentes na prestação de serviços essenciais. Saúde, zeladoria, iluminação, mobilidade e perturbação de sossego figuram entre os temas mais recorrentes, sinalizando falhas estruturais que atravessam diferentes gestões e cidades. Mesmo com índices relevantes de resposta, parte expressiva das demandas permanece em análise ou retorna de forma apenas orientativa, sem solução prática imediata. O volume elevado de reclamações não pode ser tratado como mera estatística, pois reflete dificuldades cotidianas enfrentadas pela população e aponta gargalos operacionais que afetam qualidade de vida e confiança nos poderes constituídos.
Diante desse quadro, cabe aos prefeitos das sete cidades observar os números com atenção e usá-los como ferramenta de gestão. Eles têm diagnóstico detalhado sobre onde políticas públicas falham, quais áreas exigem ajustes e como recursos podem ser mais bem direcionados. Ignorar esse material é desperdiçar oportunidade de aprimorar a eficiência administrativa. Ao transformar reclamações em indicadores de desempenho, os municípios podem planejar ações mais precisas, reduzir reincidências e fortalecer a relação com a sociedade. O crescimento das queixas, portanto, deve ser entendido menos como ameaça política e mais como convite à melhoria contínua. É hora de ouvir as ouvidorias.
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