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Trânsito da região tem 34.281 motoristas com mais de 80 anos

Segundo o Detran-SP, não há limite de idade para dirigir desde que o condutor passe pelos critérios médicos; renovação é feita a cada três anos

09/02/2026 | 08:20
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FOTO: Denis Maciel/DGABC
FOTO: Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Pelas ruas do Grande ABC, circulam 34.281 motoristas idosos com mais de 80 anos, sendo que 5.621 deles têm a partir de 90. Entre os condutores, 28,8% (9.856) são mulheres e 71,2% (24.425), homens, de acordo com dados do Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo). 

As cidades com maior número de motoristas nessa faixa etária são Santo André (12.612), seguida por São Bernardo (9.715), São Caetano (6.308), Mauá (2.469), Diadema (1.833), Ribeirão Pires (1.158) e Rio Grande da Serra (186).

A região tem ainda 91.613 condutores de 70 a 79 anos. No total, as sete cidades somam 1.533.813 CNHs (Carteiras Nacional de Habilitação) entre todas as faixas etárias. 

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De acordo com a diretora de Habilitação e Condutores do Detran-SP, Talita Rodrigues, não há limite de idade para que um condutor habilitado possa continuar dirigindo, mas os prazos de renovação podem ser menores de acordo com a idade e com a avaliação médica. 

A validade da CNH é escalonada conforme a faixa etária. Para motoristas de até 49 anos, a permissão é válida por dez anos. Entre 50 e 69 anos, a atualização é obrigatória a cada cinco anos. Já os motoristas de 70 anos ou mais devem fazer a renovação a cada três anos. Pode haver variação desses prazos se for feita alguma observação médica extraordinária no prontuário do condutor. 

O empresário Giovanni Di Folco, 80, dirige há 62 anos. O italiano, que mora em Santo André, explica que até os 76 possuía CNH profissional nas categorias C, D e E, que permitem conduzir caminhões e tratores. 

“Vim para o Brasil aos 13 anos e tirei a carta com 18. Trabalhava em São Bernardo e, naquela época, o trânsito era tranquilo. Hoje em dia, tem muitos motoristas, e sem paciência, é um caos. Sou bastante controlado para dirigir. Se alguém quer passar, dou passagem. Nunca bati em todo esse tempo que dirijo”, orgulha-se Di Folco não possui três dedos da mão direita em decorrência de um acidente com granada aos sete anos, quando morava na Itália.

O motorista sênior diz que, além dos trajetos diários para o trabalho e, às vezes, para a igreja, dirige aos fins de semana para seu sítio em Iguape, no Litoral Sul de São Paulo, por cerca de três horas. “Tenho uma boa visão, inclusive à noite. Sou ativo e não gosto de ficar parado, o tempo passa rápido quando estou trabalhando”, diz o idoso, que possui uma empresa de geradores de energia em Santo André. 

Dirigir é um fator associado à autonomia do idoso, ao permitir deslocamentos sem a necessidade de auxílio de terceiros. No entanto, com o avanço da idade, a manutenção da habilitação passa a depender do atendimento a critérios específicos, não sendo garantida a todos. O diretor da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia de São Paulo, Felipe Vecchi, explica que, mesmo no envelhecimento saudável, características como coordenação motora, visão e reflexo vão mudando. 

“Idosos tendem a ter uma resposta um pouco mais lentificada, o que pode aumentar o risco. A visão pode mudar, diminuindo o campo visual e a percepção de profundidade. Com a diminuição de massa muscular, a coordenação motora também pode reduzir”, afirma o médico. 

Para evitar ao máximo essas perdas naturais, o geriatra Marcos Cabrera ressalta a importância do cuidado com a saúde. “A prevenção passa por cuidados contínuos. A prática regular de atividade física ajuda a manter força, coordenação e equilíbrio. Exercícios que estimulam a mente, como leitura, jogos, aprendizado de novas habilidades e convivência social, contribuem para a saúde do cérebro”, exemplifica Cabrera.

O processo de renovação da CNH de idosos inclui a realização de exame médico. Durante o atendimento, o profissional avalia a aptidão física, como audição, visão, coordenação motora, além da saúde mental do condutor. Os avaliadores podem solicitar ao motorista exames adicionais. 




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